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| Alemtagus | Publicado: 27/04/2026 19:00 Atualizado: 27/04/2026 19:00 |
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Moderador
Usuário desde: 24/12/2006
Localidade: Montemor-o-Novo
Mensagens: 4065
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Há que dizê-lo com coragem e veemência
Esses qu'aqui governam são mau exemplo Penduram o povo por soltura das palavras Não por medo torturante elevado a ciência Ou liberdade d'edificar aqui o vilão templo Ou pelas rugas que dão à terra mil lavras Uns mudos deambulam-lh'a trémula lauda Esguichavam algumas frases feitas roucas Rimavam sem rima os seus escritos d'alma A mudez doente feriu mortes que defrauda Lá definhava ela sem poesia e vidas poucas Loucas tais poucas que no depois s'acalma Quero-te o reino no fio d'espada traiçoeira O desejo e essa tanta fome de ser grande E depois nascer nada mais que ser imortal Despido de gente que t'seja justa e inteira Voz capaz d'ecoar mais alto e te comande Esse nu chão de pedras que me fora fatal Levo agora uma maldição de trinta moedas No teu corpo desalmado tão amargo troféu No meu caminho olhos vazios com pobreza Que tomam do purgatório velhas labaredas No negro abraço da sombra qu'foi meu céu Doeste-me por saber que me eras incerteza |
| Enviado por | Tópico |
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| AlexandreCosta | Publicado: 28/04/2026 12:10 Atualizado: 28/04/2026 12:10 |
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Administrador
Usuário desde: 06/05/2024
Localidade: Braga
Mensagens: 1560
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"Vilarejo" - Arnaldo Antunes e Carminho
Vilarejo sem vil arranquei-lhe os pregos todos e voou já não era a sua a terra prometida foi-lhe pele rasgada e alma delida p'las fendas de um ozono onde o mal passou num lúgubre adeus, dum deus despedida o sino mais sinistro a morte dobrou se à morte acedeu mais morto ficou porque morta era a terra outrora of'recida deixo-o ir como quem pensa uma ave eu qu'escrevo no branco sei que ele sabe rasgar os papeis quando falha o desejo que leve com ele apenas os puros debaixo das asas como já seguros e que o novo mundo ao vil não dê arejo 28-04-2026 |
| Enviado por | Tópico |
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| Alpha | Publicado: 29/04/2026 23:11 Atualizado: 29/04/2026 23:11 |
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Membro de honra
Usuário desde: 14/04/2015
Localidade:
Mensagens: 2323
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Meu bem,
ouve as minhas preces. Não são só palavras são pedaços de mim que insisto em enviar-te mesmo quando nada regressa À noite quando tudo abranda é o teu nome que fica acordado em mim. chamo-te sem voz como quem acredita que o amor atravessa distâncias. se estamos longe não é ausência é só o mundo a testar a nossa coragem. porque eu continuo aqui a guardar-te em cada parte de mim e quando o vento te tocar sem explicação talvez sintas sou eu a pedir em silêncio que voltes ao meu coração! |
| Enviado por | Tópico |
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| Luxena | Publicado: 30/04/2026 20:43 Atualizado: 30/04/2026 20:43 |
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Da casa!
Usuário desde: 07/03/2025
Localidade: Brasília
Mensagens: 216
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De Repente
o dia já não dura tanto já é maio e eu quase caio na sua historinha quiçá, um dia fico a fim de caminhar até o matadouro ler frases banhadas a ouro (déjà vu?) que eu já cansei de mim esta casa já começa a ruir passo noites em claro marinando nesse caldo quase agridoce, um amparo meia hora aqui eu já começo a sonhar com o seu aroma sem sair da roupa que eu não lavo mais |
| Enviado por | Tópico |
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| Benjamin Pó | Publicado: 01/05/2026 10:48 Atualizado: 01/05/2026 10:48 |
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Administrador
Usuário desde: 02/10/2021
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Mensagens: 945
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mundão anos 80 um vilarejo em chamas na voz do repórter que não sabe bem onde está até a criança lhe pedir o autógrafo e nunca mais esquecer que o fim do mundo tem pés descalços corre sobre a cinza e desaparece num casebre a crepitar (inspirado em Vilarejo, de Arnaldo Antunes e Carminho) |
| Enviado por | Tópico |
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| Liliana Jardim | Publicado: 01/05/2026 12:49 Atualizado: 01/05/2026 12:49 |
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Colaborador
Usuário desde: 08/10/2007
Localidade: Caniço-Madeira
Mensagens: 4512
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Na quentura de um abraço
Uma foto permanece no tempo no peito, a memória a florir de entre brisas e tempestades e de entre o certo e o errado, escolhi… amar Na insuficiência dos minutos e nos espaços entre versos permaneço constante num silêncio que me queima Trago o tempo na memória um luar sombrio a iluminar a escuridão da noite por entre pétalas e espinhos mantenho-me febril E em cada lágrima perdida, em cada onda do mar o meu corpo dilui-se na quentura de um abraço. |
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| Aline Lima | Publicado: 02/05/2026 03:16 Atualizado: 02/05/2026 03:16 |
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Administrador
Usuário desde: 02/04/2012
Localidade: Brasília- Brasil
Mensagens: 1169
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O Peso, o Sol eu soube de um homem que parou no meio de uma frase e nunca mais teve pressa flores esquecidas na beira da janela falam de tempos guardados e oferendas ali, o sol se deita em pequenas poças e guarda calor para quem passa a paz não é calma é fio de gelo na garganta uma certeza de nada para que eu resista mesmo sabendo que o mundo lá fora não perdoa |
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| AlexandreCosta | Publicado: 04/05/2026 00:13 Atualizado: 04/05/2026 00:13 |
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Administrador
Usuário desde: 06/05/2024
Localidade: Braga
Mensagens: 1560
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"Amar pelos dois" - Salvador Sobral
Ensemble de dois para um puseste-me o coração na boca a mínima semínima, ínfima de rima a colcheia semicolcheia, parada na veia a fusa semifusa, de chama confusa a breve semibreve, na voz que prescreve tentei cantar e juro que sei a canção mas faltas-me melodia eu, sem harmonia perco-me em silêncios 04-05-2026 |
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| Amahnaiara | Publicado: 06/05/2026 15:21 Atualizado: 06/05/2026 15:22 |
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Participativo
Usuário desde: 06/08/2020
Localidade:
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O vilarejo da juventude sonha como quem respira, sem perceber, sem pedir licença.
Ali, tudo parece nascer de um sopro: o cheiro de padaria quente, a poeira dourada que dança no ar, o rumor das manhãs que se abrem como um livro antigo. Os jovens caminham pelas ruas estreitas com a alma acesa. Carregam nos bolsos pequenas centelhas: um desejo que ainda não tem forma, uma coragem que mal aprenderam a nomear, um brilho que insiste mesmo quando o mundo parece grande demais. As janelas, sempre entreabertas, deixam escapar murmúrios de futuro. E cada casa, com suas paredes gastas, guarda um segredo: sabe que aqueles passos inquietos não ficarão ali para sempre, mas, ainda assim acolhe, como quem segura água nas mãos só pelo prazer de sentir o frescor. As tardes chegam com uma luz que parece inventada. Os meninos sobem nos telhados para ver o horizonte, não porque esperam algo, mas porque pressentem e as meninas trançam histórias no vento, e o vento, vaidoso, leva cada palavra para longe, como se quisesse espalhar aquele sonho pelo mundo inteiro. No vilarejo, até o silêncio tem música. É um silêncio que pulsa, que promete, que guarda o instante antes do voo. E a juventude, inquieta e luminosa, cresce dentro dele como uma chama que não se apaga. Porque ali, naquele pequeno lugar que cabe na palma da memória, o sonho não é fuga, é raiz. E cada jovem, ao partir, leva consigo um pedaço de céu que aprendeu a inventar. Amahnaiara |