
Numa relação, seja ela de curta ou de longa duração, são várias as conjunturas em que temos dificuldade em receber, sejam cumprimentos, manifestações de amor, simpatia, admiração, ideias novas, sinais de interesse, ou objectos.
Esta dificuldade, origina uma oposição a propostas, a certos impulsos, através da rejeição em receber, reagimos, de forma negativa, como “pacientes do receber”.
Como entender este mecanismo? Porque desvalorizamos o entusiasmo do nosso interlocutor e a nós próprios?
O presente mal recebido magoa quem o oferece.
Ao acolhermos mal um presente, remetemos, quem o deu, para a sua incapacidade, para a sua impotência ou para a sua solidão.
A visão que temos de nós próprios será, desta forma, tão hirta, tão rigorosa, que em nome da perfeição, de uma verdade ou de um ideal absoluto, não podemos aceitar uma prenda, um reconhecimento merecido?
Muitas pessoas recusam receber, preferem dar, parece-lhes mais fácil... A dar mantenho-os à distância das minhas próprias solicitações.
Porque receber é uma faca de dois gumes, é uma abertura ao outro, é um risco de intrusão, de penetração do nosso universo, da nossa “verdade”. Receber é correr o risco de ser influenciado, logo de mudar.
Mas, é na coincidência dos desejos que permite receber verdadeiramente o que nos é oferecido e, uma dádiva recebida na sua plenitude também preenche quem a dá.
Desta forma, gostaria de presentear os poetas que me acompanham nesta viagem.
Bem hajam
"A poesia não deve ser o caminho mais curto entre dois pontos, mas o caminho onde o leitor mais gosta de se perder."