https://www.poetris.com/
 
Poemas -> Desilusão : 

CANTIGA DO AMOR EFÊMERO

 
CANTIGA DO AMOR EFÊMERO
 
Um crime, se me permites,
leitor, revelar-te-ei:
a mais linda das mulheres
eu, insensato, magoei.
Por breves, diáfanos dias,
foi-me ela a Sherazade
que, em sonhos de mil e uma noites,
corporifiquei.
Amou-me. Também a amei.

Mas sem desculpa plausível,
fleumático, inacessível,
ontem a noite, (que noite!)
assim, sem mais e sem menos,
a diva, a lívida Vênus,
eu para sempre deixei.

Por certo que chora, ela,
como estrela de novela,
no cenário em que atuei.
O “script” não trazia
tão abrupta cisão.
O meu velho coração
já, por fim, petrificou-se,
desiludiu-se, não sei...

Já, por fim, pesa-me, imensa,
essa aonírica noite
na qual, mesmo à luz dos dias,
para sempre me embrenhei...



Sergio de Sersank
Visitem meu blog literário "Estado de Espírito"
http://sersank.blogspot.com

(Da coletânea "Estado de Espírito", de Sergio de Sersank)

Visite o blog "Estado de Espírito"

http://sersank.blogspot.com


 
Autor
Sergio de Sersank
 
Texto
Data
Leituras
1064
Favoritos
0
Licença
Esta obra está protegida pela licença Creative Commons
4 pontos
4
0
0
Os comentários são de propriedade de seus respectivos autores. Não somos responsáveis pelo seu conteúdo.

Enviado por Tópico
Transversal
Publicado: 16/04/2012 04:10  Atualizado: 16/04/2012 04:10
Colaborador
Usuário desde: 02/01/2011
Localidade: Fortaleza - Lisboa
Mensagens: 3687
 Re: CANTIGA DO AMOR EFÊMERO
deveras "um crime" magoar
"este meu coração, petrificou-se,
desiludiu-se, não sei,
também a amei, por breves, diáfanos dias
pesa-me outra noite"

e nestes "sonhos de mil e uma noite" corporificados, mesmo efémeros, nasce um belo texto. Obrigado.

Abraço-te


Enviado por Tópico
martisns
Publicado: 16/04/2012 12:54  Atualizado: 16/04/2012 12:54
Colaborador
Usuário desde: 13/07/2010
Localidade:
Mensagens: 29264
 Re: CANTIGA DO AMOR EFÊMERO
SEU POEMA É UMA VERDADEIRA CANTIGA DE AMOR, BELO