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sem querer

 
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Meus dias passam por mim.

Respiro o cheiro das rosas,
pois são elas que nos acompanham
em um último adeus.

O tempo de minha vida
é pouco comparado
com o tempo de uma morte.

Escrevo mais um poema,
chorando por sentir a dor
que o mundo me faz passar.

Sinto o meu espírito
preso a um corpo que não é meu.

Sinto saudades
de coisas que nunca passei
em minha vida.

Me sinto como um barquinho de papel
feito por uma criança
e lançado à sorte
de uma correnteza.

Amo a tudo
e me odeio.

Creio em Deus,
mas faço Ele, sem querer,
se afastar de mim.

Às vezes caminho na praia
e, olhando o pôr do sol,
sinto minha alma
se afastar da luz.

Ao caminhar na areia,
as ondas apagam
o rastro de meu passado.

Por que, Deus,
eu sinto tanta dor?

Sangro tanto por dentro,
e isso me afasta
de tudo que pode me dar a cura.

Meus dias são nublados,
mesmo havendo a luz do sol.

Me alimento sempre
de migalhas
deixadas para trás.

Um dia,
gostaria de acordar
e sentir a felicidade
me abraçar,
sem a culpa de sofrer
por tentar fazer você feliz.
 
Autor
o poeta ea solidão
 
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