https://www.poetris.com/
 
Poemas : 

Meu caro amigo

 
Eu caro amigo
Sou mais vizinho do poeta dos montes
Mão de menino cativada com pedras
De polimento macio como a casca
Que os pêssegos esfregam em nós
Olhos atados ao sopro da tarde
Sonhando vasas de razão
Aprovações e acenos de pastores
De rebanhos de crianças
Que esperam a vez de lidar

Eu caro amigo
Que conheço as vendas de trás
E lá deixei recolhidas as moedas dos avós
Recados simples pelo trajecto doce
Do roteiro das chicletes Gorila
E depois havia o serrim da serração
A larga estrada de alcatrão de antecâmara
O chiar do carrinho de mão do avô
E as pernas de coelho estiradas e tensas
Da morte que a avó prometia.

Eu caro amigo
Que fui cúmplice de matanças domésticas
Não deixei de chorar meus peões destroçados
Mas apertei sempre o baraço
Desenhei círculos na terra, marquei golos de bico
Molhei a roupa interior e esverdeei os joelhos
Comprei gel, fiz flexões e bebi sem sede
E tudo na sombra dos livros meu caro!
E quão bonito fluiu tudo isto!
Pai, meu querido, obrigado.

 
Autor
fcsguimaraes
 
Texto
Data
Leituras
1062
Favoritos
0
Licença
Esta obra está protegida pela licença Creative Commons
2 pontos
2
0
0
Os comentários são de propriedade de seus respectivos autores. Não somos responsáveis pelo seu conteúdo.

Enviado por Tópico
Srimilton
Publicado: 22/07/2013 22:09  Atualizado: 22/07/2013 22:09
Membro de honra
Usuário desde: 15/02/2013
Localidade: Nenhuma
Mensagens: 1830
 Re: Meu caro amigo
Muito bonito os seus dizeres. Terno. Gostei.

Abraços!