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O Primeiro e o Último Natal

 
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Como preconiza o dito popular, “a vida é uma caixinha de surpresas...” Às vezes somos agraciados com acontecimentos que nos fazem imensamente felizes e noutras oportunidades o mundo simplesmente parece estar desabando sobre nossas cabeças. Esse é o tema da minha mensagem de natal: “APROVEITE O DIA DE HOJE!”

O Natal de 2006 foi muito especial para mim. Toda a minha família estava reunida na casa dos meus pais, depois de um ano bom para todos. Eu, grávida pela primeira vez, “desfilava” com meu barrigão de sete meses, já sonhando com o natal de 2007, quando, então, meu filho já seria um bebê com nove meses de idade e estaria sorrindo, brincando e comemorando seu primeiro natal para completa felicidade de todos nós...

Por ironia do destino, pensava em meu filho, mas não prestei muita atenção ao meu pai, que era avesso a aparecer nas fotografias e que apenas se encarregava de tirá-las, documentando para a posteridade aquele momento, e ele acabou não saindo em nenhuma foto...

Meu pai era uma pessoa muito ativa, tinha 59 anos, havia aposentado há três anos. Era um pai extremamente prestativo e cuidadoso. Sempre demonstrava preocupação quando qualquer pessoa da família estava com algum problema de saúde, ocasião em que nos inquiria se havíamos consultado algum médico e se estávamos tomando os remédios. Para qualquer problema de saúde ele sempre tinha uma receita caseira, um remédio natural, que nos oferecia para ajudar a "curar mais rápido" a doença ou o mal estar.

Contudo, apesar de sua preocupação conosco, meu pai foi negligente com a própria saúde. No dia 19 de julho ele acordou bem, passou a manhã normalmente, almoçou, e depois, sentiu-se mal. Incrivelmente, ele não chamou ninguém para ajudá-lo e foi dirigindo, sozinho, para o hospital mais próximo, que ficava a cinco minutos de sua casa. Chegando lá, os médicos constataram que ele havia sofrido um infarto. Ele foi medicado e a enfermeira ligou para meu irmão, que foi rapidamente para o hospital, conversou com meu pai e ligou para nós. O quadro clínico parecia estável, ele estava consciente e conversou com meu irmão, meu outro irmão também chegou e conversou com ele. Contudo, quando eu e minha mãe chegamos ao hospital ele tinha acabado de sofrer outro infarto com parada cardíaca, os médicos tentaram reanimá-lo por quase três horas, mas depois de todas aquelas intermináveis horas de angústia e sofrimento, vendo os médicos entrando e saindo, escutando o ranger da cama quando faziam a massagem e vendo por trás do balcão do pronto-socorro o monitor cardíaco, que se mexia apenas quando o coração era massageado... Nossas esperanças foram despedaçadas quando recebemos a notícia de que meu pai falecera... inesperadamente, naquele dia 19 de julho de 2007, um dia completamente normal, que parecia ter começado como outro qualquer...

O Natal de 2006 foi o último que meu pai passou conosco, logicamente, nem ele e nem ninguém da família supunha que isso iria acontecer. Ele faleceu em uma quinta-feira e descobrimos que havia marcado exames cardiológicos para a segunda-feira seguinte. Certamente ele já devia estar se sentindo mal, mas não contou nada para ninguém e o destino não lhe concedeu mais alguns dias para descobrir que estava com um sério problema cardíaco.

O natal de 2007 será o primeiro natal do meu filho, que perdeu seu avô quando tinha apenas cinco meses. Não será mais o natal tão feliz com que eu sonhara, pois também será o primeiro natal que passarei sem meu pai. Portanto, mesmo com toda a doçura que meu filho me proporcionará, também sentirei amargura pela perda inesperada do meu pai.

Felizmente eu não tinha nenhum problema de relacionamento com meu pai, portanto, apesar da imensa dor da perda, não carrego comigo nenhum remorso. Contudo, muitas pessoas têm problemas de relacionamento com os pais ou com filhos ou outras pessoas da família e muitas das vezes esses problemas nem são tão grandes assim. Às vezes por pequenas diferenças de personalidade ou falta de um pouco de tolerância, tais problemas acabam estragando um relacionamento que poderia ser sadio e trazer felicidade para todos. Meu conselho para quem estiver lendo esse texto é que deixe de lado todas as bobagens e rusgas inúteis, pense sempre em APROVEITAR O DIA DE HOJE - o presente. Portanto PRESTE ATENÇÃO tanto nas pessoas ao seu redor, quanto em si próprio(a). CUIDE da sua saúde, pois se você faltar certamente causará muito sofrimento às pessoas lhe amam. Não sabemos onde, como, quando nossos dias vão se acabar, ou quem da nossa família irá morrer antes ou depois de nós. Portanto, aproveite o espírito natalino para varrer de vez com as briguinhas por pequenas coisas e se possível por desentendimentos ou situações mais sérias também, pois a VIDA é um PRESENTE que nos foi dado, uma OPORTUNIDADE ÚNICA... Portanto, tenha mais tolerância, abra seu coração para o amor, estenda a mão e certamente a pessoa mais feliz será você!

Boas Festas!


 
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AndraValladares
 
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Enviado por Tópico
visitante
Publicado: 24/12/2007 04:18  Atualizado: 24/12/2007 04:18
 Re: O Primeiro e o Último Natal
UMA LINDA E LONGA REFLEXÃO QUE SEU NATAL DE HOJE E DE SEMPRE SEJA PASSADO COM MUITO AMOR.