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Poemas : 

Vinte de março e dois mil mitos

 
Me assustando no hoje
vivendo os dias como
se eu já estivesse derrotado.
É como me sinto. Parcialmente.
Bebo alguns litros de cerveja
e começo a duvidar
sobre o que é real.
Não é possível que tudo
o que acontece comigo,
ao meu redor, seja real.
Me absorvo entre fumaça
e neurose. Beber é como
cair na realidade. Porque ainda
estou aqui, me sentindo tão merda
enquanto dias que por muito tempo
sonhei, são reais. Mas porque tive que
me perder em meio a tantas batalhas
e entendimentos
sentimentos mortos e conformado.
Agora não consigo me encontrar,
não sei dizer nenhum motivo para
eu não estar aqui, simplesmente cair fora,
a não ser o medo de fazer as malas.

"Eu queria sentir o cheiro da chuva
mas o único cheiro que consigo sentir
é: o de morte que vem desse seu cigarro."
Reclamou Denys.
Dei mais alguns tragos e
joguei o resto em uma possa
qualquer.
Olhando para as ondas
que as gotas faziam
ao cair nas possas. Chovia.
Pensei: mesmo não gostando
de holofotes tenho que deixar
de ser um qualquer, para encher
minha barriga
para viver do que me faz vida
e vender algumas boas palavras.

 
Autor
GabrielsChiarelli
 
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Enviado por Tópico
boxer
Publicado: 20/03/2019 09:44  Atualizado: 20/03/2019 09:45
Colaborador
Usuário desde: 21/01/2009
Localidade:
Mensagens: 764
 Re: Vinte de março e dois mil mitos
.
Ao eu poético daria um conselho: leia García Lorca.
"Nasci para ter os olhos abertos", dizia Bernarda Alba :)

(Gostei bastante do seu texto)





Enviado por Tópico
PROTEUS
Publicado: 21/03/2019 16:19  Atualizado: 22/03/2019 01:31
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Usuário desde: 27/03/2010
Localidade:
Mensagens: 3729
 Re: Vinte de março e dois mil mitos
OS CEGOS DO MUNDO:

Não sente o cheiro da podridão quem também está apodrecendo...

Milhões disseram amém em adoração a ídolo de lama sentado em latrina transbordante.

E bastava ouvir as cobras e lagartos que vomitou durante a vida e se saberia como seria.

Mas nada viam os cegos que não queriam ver.

E movidos pelo ódio se deixaram envolver na mais triste página da história, que nem em sonhos imaginaria o mais pessimista utópico. (Proteus).