https://www.poetris.com/
 
Textos -> Esperança : 

Não me obriguem a vir para a rua gritar

 
Tags:  bluff    engodos    proselitismo    propaganda    oficial  
 
Quando nos sentimos obrigados a vir para a rua gritar...
As nossas percepções tendem a ser influenciadas e manipuladas e viciadas pelas forças políticas, económicas e religiosas no terreno, que se manifestam diante dos nossos olhos e ouvidos de um modo tão virtual, com tantos engodos e bluff, com tanta representação social à mistura, que o facto de as televisões e os jornais e as redes sociais serem a nossa fonte de informação só por si constituem um problema sério porque, de algum modo, são nossos sequestradores.
Não há uma verdade oficial. E ainda bem.
O discurso oficial, o politicamente correto são tão suspeitos que, eles próprios, se demitiram do dever de informar, porque eles têm interesse em não informar, ou em informar apenas o que lhes interessa.
E era aqui que eu queria chegar.
Os governos devem assumir como uma das suas funções principais, através da criação de equipas técnico-científicas, não a pedagogia das populações, nem a doutrinação, nem a propaganda alienante, virtual e massificadora, mas a informação a que, objetivamente, cientificamente, já é possível chegar e o cidadão tem direito.
Este “possível chegar” não é para o cidadão comum, mas é possível para o Estado.
Acredito que os Estados mais ricos tenham capacidade para recolher (e recolham) e tratar dados (e tratem) sobre praticamente todas as áreas, nomeadamente polítcas e económico-sociais.
A explicação para fenómenos tão estúpidos e vergonhosos como racismo, xenofobia, chauvinismo, hooliganismo..., ficaria acessível ao público e a sua análise permitiria concluir muita coisa, válida e consistente, sobre a sociedade, em termos comparativos no espaço e no tempo e as tendências atuais, nomeadamente políticas, para além daquilo que sabemos pelos telejornais e pelas impressões dos nossos amigos e inimigos.
Enquanto, aparentemente, os Estados andarem todos a fazer bluff (como se estivéssemos perante fenómenos inexplicáveis e sem solução) seremos induzidos a seguir líderes de coisa nenhuma, porque tudo o que têm para nos dizer (limitam-se a ampliar populismos e demagogias à cata de votos ou anuências ou proselitismo) não vale mais, nem é melhor que aquilo que nós sabemos.
Se soubéssemos (e acredito que há Estados e polícias que sabem) quem são os racistas, etc..., e as razões e motivos que os movem, talvez ficássemos esclarecidos sobre aspectos muito importantes, graves e deploráveis, que podemos e devemos corrigir com justiça.
As cortinas de silêncio, o clima de suspeição, a cultura de bruma e de medo, os fantasmas da guerra... são instrumentos poderosos cuja utilização interessa a quem sabe muito daquilo que nos interessa saber mas não informa, porque tem poderes para “não informar”.
No entanto, não mais basta que um grupo dominante queira isto ou aquilo.
A minha percepção é que este é o problema, mas também é a esperança de mais justiça e de mais racionalidade.






 
Autor
Carlos Ricardo
 
Texto
Data
Leituras
213
Favoritos
1
Licença
Esta obra está protegida pela licença Creative Commons
12 pontos
4
0
1
Os comentários são de propriedade de seus respectivos autores. Não somos responsáveis pelo seu conteúdo.

Enviado por Tópico
Jmattos
Publicado: 09/12/2019 11:29  Atualizado: 09/12/2019 11:29
Colaborador
Usuário desde: 03/09/2012
Localidade:
Mensagens: 16472
 Re: Não me obriguem a vir para a rua gritar
Poeta

Se soubéssemos (e acredito que há Estados e polícias que sabem) quem são os racistas, etc..., e as razões e motivos que os movem, talvez ficássemos esclarecidos sobre aspectos muito importantes, graves e deploráveis, que podemos e devemos corrigir com justiça.
As cortinas de silêncio, o clima de suspeição, a cultura de bruma e de medo, os fantasmas da guerra... são instrumentos poderosos cuja utilização interessa a quem sabe muito daquilo que nos interessa saber mas não informa...


Quanta verdade! Dizer mais o quê? Parabéns! Levei! Obrigada pela partilha!
Abraço!
Janna


Enviado por Tópico
Namas-tibet
Publicado: 12/12/2019 15:12  Atualizado: 12/12/2019 15:13
Colaborador
Usuário desde: 17/07/2018
Localidade: Azeitão/Setúbal, Portugal
Mensagens: 1143
 Re: Agora Não me obriguem a vir para a rua gritar
(há que publicar isto) está delicioso...




O mercado da atenção

O título fez-me pensar imediatamente em paternalismo.
Vivemos numa sociedade em que as palavras são reproduzidas diante dos nossos olhos, quando somos leitores, ou atingem os nossos ouvidos, quando estamos no papel ou atitude de escutar o que diz Molero ou o que falava Zaratustra, com a previsão de serem entendidas e interpretadas como cada um quiser ou for capaz...
O mercado da atenção é um problema muito complexo para toda a gente que depende dele.
E, cada vez mais, dependemos desse mercado, não apenas como dizentes ou falantes, mas também como escutantes ou ouvintes.
Neste mercado da atenção, tudo se transforma em ruído, mas a liberdade, que é muito bonita, não é para todos.
A liberdade de dizer/falar e a liberdade de escutar/ouvir não são da mesma igualha e, no mercado da atenção, a liberdade de uns não é propriamente liberdade de outros.
O paternalismo e a emancipação têm vindo a ser o ator e a sua personagem dramática e/ou trágica, das relações de poder, num teatro que virou tudo do avesso ao tornar-se verdadeiro poder e um poder maior.
Tudo sob a égide de um deus (dinheiro), que não precisa de saber, nem tem de valer nada, para ser critério de (quase) tudo.