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Poemas : 

Poema em degradée

 
Caminhavas
despido debaixo
da luz.

Atravessei
antigas ruas
para ver-te.

Num esboço
de corpos a manhã
desgastava-se.

O olhar
curvava-se
na ausência
de abraços.

Pássaros voavam
sobre retalhos de
vestidos usados
em velórios.

Abrem-se as flores
no templo ilusório?

Admiro
os gestos
dispersos
no palco.

Compartilho
meus versos
na penumbra
dos cenários.

Sobra-me espaços
entre a voz e a luz.

A nudez colore
a plateia antes
do aplauso.

Dilui-se
a distância
das árvores
na margem
dos rios.

Um gesto delicado
conserta relógios.
O tempo recomeça
no retrovisor.

A mutabilidade
das almas
transporta-me
nas águas de
outrora.

Desfaço-me
das cinzas
dos pedaços
que sobraram.

Desenho
rostos
suspensos
nos lábios.

Desprendo-me.
Decifro-te.

Um rio escorre
em degraus.

Sossega a alma perturbada.

Os galos anunciam
o final das ruas.

Invento palavras
em dias nublados.

Partimos no
princípio para
lugar nenhum.

Num abraço
apago mágoas.

No passado
a utopia coloria
as palavras.

Reencontro-me.

Fluem
poemas
escritos
no tronco
das árvores.

Há paradoxos
de memórias
num calendário
chinês.

Segues a luz
num campo
de lírios.

Nos despedimos
no cais.

Vivemos
momentos
de espanto.

A distância fere os
olhos que não veem
o nascer do sol.

Espero-te
onde nascem
as nuvens.

Tombaram
as folhas
na penumbra
da catedral
restaurada.


Poemas em ondas deslizam nas águas.

 
Autor
RaipoetaLonato2010
 
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