A Cor de um Pesadelo
Sempre na escuridão da noite
encontro meus medos e, também,
a força para contê-los.
E nos meus olhos brilham as cores
que menosprezam meus pesadelos,
mas que arrepiam meus pelos.
Eu trago comigo a minha solidão,
e nenhuma tempestade consegue
abalá-la.
Dos meus lábios soam
os murmúrios que os ruídos fúnebres
da noite embalam.
Não sou a paz que muitos profetizam,
ou mesmo a guerra que permeia o mundo;
sou vítima deste acidente fortuito
que é viver nas noites com demônios
que habitam abismos profundos.
Ao raiar do dia, espectros
correm por passadiços macabros,
com highlander presas aos dentes.
E, neste momento,
fecho meu coração e não o abro,
pois em minhas mãos
o sangue escorre reluzente.
Eu vivo apenas mentiras,
ruas sem casas ou rastros,
que seguem o caminho
de um “X” tortuoso e feio.
Hoje, todos os meus anseios estão no meio
de um retrato de um mundo gasto,
da cor de bostas expostas no pasto.
Alexandre Montalvan