
Mundo Frágil
Frágil é meu mundo,
redoma brilhante intransponível,
a ruir por um expressar profundo,
frágil, embora possível.
No azul acinzentado da redoma vazia,
meu corpo imolado no fogo,
exprimo um gemido rouco:
frágil é meu mundo neste jogo.
Enlanguesço vertiginosamente na sua presença,
no medo convincente do teu abandono,
no peso absurdo deste meu final de outono;
parece que, ao fechar meus olhos, faz a diferença.
Ausente é meu mundo impossível;
ao dormir, cubro a cabeça com medo do escuro.
Viver este medo é mais que horrível:
dou um mergulho precário de cima do muro.
Caminhar a par de uma poesia,
apoiando o lápis em uma folha de papel,
escandindo as palavras de uma mortalha fria,
pois, ora morto, quero ir para o céu.
Alexandre Montalvan
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