Poemas : 

mandingo

 
construí o altar com as minhas mãos
e barro de gente por acabar
seco ao sol

e,

num belo dia,
nasceu em mim, em combustão, um busto,
uma poesia que dizia um dizer, confissão

numa língua antiga amiga plena de espuma
a ferver
de ver o dever e sem ver a fazia

fiz uma boneca, com duas tranças,
para me agarrar de quatro e parar

fiz um sinal da cruz invertida
e fez-se luz, fez-se vida, a giz

e

aos gritos, preso ao altar profano

fui conjurado
teu


Sou fiel ao ardor,
amo esta espécie de verão
que de longe me vem morrer às mãos
e juro que ao fazer da palavra
morada do silêncio
não há outra razão.

Eugénio de Andrade

Saibam que agradeço todos os comentários.
Por regra, não respondo.

 
Autor
Rogério Beça
 
Texto
Data
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118
Favoritos
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Enviado por Tópico
Vania Lopez
Publicado: 12/05/2024 22:18  Atualizado: 12/05/2024 22:18
Membro de honra
Usuário desde: 25/01/2009
Localidade: Pouso Alegre - MG
Mensagens: 18165
 Re: mandingo
Misericórdia! Esse você roubou do meu pensamento (como pode?). Imenso. Aplausos. Bjs

Enviado por Tópico
MarySSantos
Publicado: 12/05/2024 23:56  Atualizado: 12/05/2024 23:56
Usuário desde: 06/06/2012
Localidade: Macapá/Amapá - Brasil
Mensagens: 5753
 Re: mandingo
Hum...
Não passas de um
feiticeiro…!
Este poema é pura mandinga.
Favorito.

Só avisa-me quando for quebrar a magia ;)

Bjo