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Benjamin Pó | Publicado: 31/08/2025 14:02 Atualizado: 31/08/2025 14:02 |
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A ideia da Verdade como uma jovem despudorada e perturbadora é ótima. Entretanto encontrei uma fábula de Esopo que me parece que o magnoerreiraal é capaz de gostar: «Prometeu, o oleiro que deu forma à nossa nova geração, decidiu um dia esculpir a figura de Veritas (a Verdade), aplicando toda a sua arte para que ela pudesse orientar o comportamento dos homens. Enquanto trabalhava, foi inesperadamente chamado pelo poderoso Júpiter. Prometeu deixou então o astuto Dolus (o Engano) encarregado da oficina — ele que recentemente se tornara aprendiz do deus. Dominado pela ambição, Dolus aproveitou o tempo de que dispunha para moldar, com dedos habilidosos, uma figura de igual tamanho e aparência à de Veritas, copiando-lhe todos os traços. Quando a obra estava quase concluída, e verdadeiramente notável, faltou-lhe o barro para acabar os pés. O mestre regressou, e Dolus, tomado de medo, sentou-se apressadamente no seu lugar. Prometeu ficou pasmado com a semelhança entre as duas estátuas e, querendo que se julgasse que tudo era fruto do seu próprio talento, colocou ambas no forno. Depois de bem cozidas, infundiu-lhes vida: a sagrada Veritas avançou com passo firme e seguro, enquanto a sua gémea inacabada permaneceu imóvel, presa ao chão. Essa falsificação, fruto do ardil, recebeu assim o nome de Mendacium (a Mentira), e eu concordo inteiramente com os que dizem que ela não tem pés: de tempos a tempos, aquilo que é falso pode começar por ter êxito, mas com o passar do tempo a Veritas (a Verdade) acabará sempre por triunfar.» |