Muitas vezes pedimos perdão tarde demais.
Reconhecemos tarde demais.
Queremos ouvir quando o silêncio já falou.
Queremos falar quando já não há quem escute.
Esperamos.
O tempo passa.
E o que era gesto possível
vira ausência.
Aquele perdão,
aquele reconhecimento,
aquele ouvir,
aquele falar
já não fazem diferença,
porque chegaram atrasados
ao coração do outro.
O tempo, que não acusa,
segue.
E nos ensina,
com sua delicadeza firme,
que quase sempre
não é falta de amor,
é excesso de espera.
Mas enquanto ainda há fôlego,
há um agora.
E o agora ainda pode ser ponte.
Que o perdão seja dito.
Que o ouvir seja inteiro.
Que a palavra encontre coragem
antes de virar arrependimento.
Para que não seja,
mais uma vez,
tarde demais.
Fcalmeida