
| Enviado por | Tópico |
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| Alemtagus | Publicado: 23/02/2026 19:23 Atualizado: 23/02/2026 19:23 |
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Usuário desde: 24/12/2006
Localidade: Montemor-o-Novo
Mensagens: 3945
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Fui ali morrer devagar
A qualquer chão mudo Entr'as folhas caducas Sem ter de te esperar No meu mundo surdo Nas tuas vidas loucas Vou lá também ser eu Coisa que foi ninguém Nuvem passageira sós Que olhares esqueceu À memória de alguém Minha ou tua sem nós Agora não te alcancei Miragem de horizonte No outro lado do mar Que me canta não sei D'água pura na fonte Que me quis ver voar |
| Enviado por | Tópico |
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| MarySSantos | Publicado: 23/02/2026 21:12 Atualizado: 23/02/2026 21:14 |
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Colaborador
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corredeira
sem medo de abrir fendas no próprio destino de rasgar a terra para encontrar caminho de carregar no peito o eco antigo de tudo o que já fui e do que ainda persigo sem doma sou água inquieta que aprende com cada pedra atravessada que se curva mas não cala que segue mesmo quando a noite fala sou rio de planalto correndo em desespero obstinado tropeçando nos ressaltos... e quando o vale se abre diante de mim celebro chegada lambendo margens devagar até fazer-me contorno de remanso amanso.. |
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| Aline Lima | Publicado: 24/02/2026 02:10 Atualizado: 24/02/2026 03:04 |
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Administrador
Usuário desde: 02/04/2012
Localidade: Brasília- Brasil
Mensagens: 1154
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Ensaio há um acordo secreto que não se explica entre o chão e o pé descalço o corpo sabe que ainda é ensaio corre rindo boca suja coração disparado o mundo é grande cabe no brilho do olho atravessa vem atrás quase alcança tropeça segue pulsa a vida ainda não aprendeu a pedir desculpa |
| Enviado por | Tópico |
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| Liliana Jardim | Publicado: 24/02/2026 16:02 Atualizado: 25/02/2026 09:30 |
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Colaborador
Usuário desde: 08/10/2007
Localidade: Caniço-Madeira
Mensagens: 4504
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Imperfeito e sem rima
De repente aparece o anseio num aperto… tranca as memorias a mente flutua imprudente como uma gaivota ferida num horizonte longínquo impenetrável Só resta a imensidão de mar marejando o olhar agitado Por um momento invade a ternura o mel transborda na pele quieta naquela mesa... algures e o poema nasce saudoso nos dedos trémulos do poeta em mais um rabisco imperfeito e sem rima mas repleto de ti E uma guitarra algures... geme a saudade Escrito a 24/02/26 |
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| Alpha | Publicado: 24/02/2026 18:29 Atualizado: 24/02/2026 18:29 |
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Membro de honra
Usuário desde: 14/04/2015
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Sou música, sou balada
Sou música não a que passa mas a que ecoa onde o silêncio tenta morar. Sou balada noite acesa dentro do peito luz e sombra dançando na minha própria pele. Carrego refrões na memória invento versos no improviso quando meu coração exige palco. Às vezes desafino troco o passo, perco o ritmo mas nunca abandono a pista da vida. Tenho madrugada na voz fogo insistente no olhar e um amor que sempre pede bis E se o mundo apagar as luzes eu viro chama, viro clarão Porque nasci para incendiar a noite inteira! |
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| AlexandreCosta | Publicado: 25/02/2026 10:55 Atualizado: 25/02/2026 11:01 |
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Mensagens: 1453
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"putos a roubar maçãs" - Dead Combo
(ar)Roubo sou guitarra de olhos a ressoar do teu sorriso maçãs rubras a balançar seguras do vento apaixonado congruente entretanto dedilho a pentear flores os teus cabelos acordados com tónica de peito encostado sabemos ouvir enquanto a música encorpada treme dos dedos o pecado menor é dum beijo (ar)roubado e a canção será quando as maçãs de polpas dissolvidas avermelharem a pauta com sumo fresco de vibrar na frequência tangível o som harmónico de nós 25-02-2026 |
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| agniceu | Publicado: 25/02/2026 23:12 Atualizado: 25/02/2026 23:12 |
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Aprendizes de Faroleiro
a fome enfarta a ânsia num transe ininterrupto. a fome do belo, do singelo silêncio, da contemplação interior… morremos demasiado ocupados, apressando o tempo, descuidados dos milagres, pedintes de atenção, órfãos no coração. corremos atrás do clarão, aquele amor em ebulição, tão necessário na construção do farol que podemos ser, esquecendo de cuidar, de ligar a lanterna que já somos, e ficamos perdidos quando somos incapazes de guiar os passos nos noturnos momentos dos outros, sem saber o caminho pisado. |
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| Benjamin Pó | Publicado: 26/02/2026 20:21 Atualizado: 26/02/2026 20:21 |
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rancor platónico não tinham mordido o fruto trincaram-se antes um ao outro enquanto o pecado por pudor se perdera entre os ramos onde a maçã devolvida pelas crianças tentava agora o senhor só na sua língua bifurcada em busca de outros putos que não soubessem filosofia e que não lha roessem pelo avesso (inspirado em "Putos A Roubar Maçãs", canção de Dead Combo) |
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| Aline Lima | Publicado: 02/03/2026 02:53 Atualizado: 02/03/2026 02:57 |
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Administrador
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Localidade: Brasília- Brasil
Mensagens: 1154
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Ponto de Têmpera Há uma coisa em mim que não pede medida. Fica. Quando o dia vem com sua lâmina e me divide, não sangro espetáculo. Sangro para dentro. Não faço do rosto porcelana. Nervos expostos. O som batendo. Desfio. Fio por fio. Camada por camada, até quase desaparecer. E esse quase acende o que sobra. Ardo baixo, sob a cinza, como bicho que guarda o próprio incêndio no fundo da toca. Sem forma. A matéria cede. Ainda quente no ponto em que me dobra. |
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| Liliana Jardim | Publicado: 02/03/2026 17:47 Atualizado: 02/03/2026 17:47 |
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Localidade: Caniço-Madeira
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Pergunto-me porque?
Cada lembrança cresce e queima num fogo que incendeia a pele e o olhar a minha mão toca a tua… na minha mente um sopro, um sussurro é levado pelo vento no baldio quente da alma, longe de mim Na margem do pensamento as palavras dançam na boca cerrada e na agitação do corpo, reencontro-me nesta recordação, que nem a noite apaga A porta permanece fechada fica a sombra dos corpos presos no tempo o perfume invadindo a memoria do teu olhar e nas palavras que não calei. respiro ternura e acendo as velas do passado que não param de queimar E pergunto-me porque? Escrito 02/03/26 |
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| Rogério Beça | Publicado: 02/03/2026 18:39 Atualizado: 02/03/2026 23:17 |
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Usuário desde: 06/11/2007
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sabor a suor
guardo na algibeira o fruto do suor e furto mais por malícia do que por fome, devoro o tempo como quem a vida consome finjo-me de santo, junto do guarda que por mim passa, mas, a falta de jeito com que talvez o faça, prende-me, e vou direto ao calabouço, em que ouço que o suor assim tido não tem sabor. (inspirado em "putos a roubar maçãs" dos Dead Combo) |
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| Gyl | Publicado: 02/03/2026 21:57 Atualizado: 02/03/2026 21:59 |
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Mensagens: 16308
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Quem dera eu pudesse fazer
Um canto de um amor assim Com mil palavras encontradas Num canto dentro de mim. E que minha voz embargada Chegasse "in loco" qualquer Fazendo sorrir a mulher Que nunca me disse que sim. Quem dera eu tivesse o dom Da partitura da vida Para achar as notas escondidas Embutidas nas curvas do som. Então eu deixo em resumo As letras esparsas que vão Das notas da minha canção Para dentro das águas que sumo. |
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| AlexandreCosta | Publicado: 03/03/2026 12:41 Atualizado: 03/03/2026 12:41 |
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"Martelo bigorna" - lenine
(P)reparo não se nasce na forma definitiva nem o preceito infere um firme traço estende-se a vida num risco escasso e os olhos não vão à frente em comitiva se é do peito toda a força emotiva mente livre é razão, peso e contrapasso pela égide, uma têmpera de aço saber-se alma, consciência cognitiva desengane-se quem se achar já instruído quem avançar por rumo só presumido sem esperar que o contrário o confronte 'inda que eu seja de asas guarnecido nada sei do caminho desconhecido ninguém sabe da vida além do horizonte 03-03-2026 |