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Ouse gritar

 
A desigualdade não é acaso,
É projeto.
É a engrenagem que gira
Quando poucos se alimentam de muitos.

As vidas sofridas não são invisíveis,
São apagadas de propósito.
É mais fácil governar
Quando a fome cala,
Quando a miséria curva a espinha,
Quando a esperança se torna esmola.

Enquanto isso,
Os que lucram erguem prédios de vidro,
Bebem champanhe sobre o suor alheio
E chamam isso de mérito.

Não é destino,
É escolha política:
Pão negado, teto arrancado,
Direitos transformados em favores.

E nós?
Não podemos apenas assistir.
A poesia não basta,
Ela precisa arder como palavra de ordem,
Precisa soprar brasas em corações cansados,
Precisa lembrar:
Ninguém se liberta sozinho.

Ou se levanta a voz,
Ou se abaixa a cabeça.
E a história tem sede
De quem ousa gritar.

Poema: Odair José, Poeta Cacerense

www.odairpoetacacerense.blogspot.com

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@poetacacerense
 
Autor
Odairjsilva
 
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