Poemas : 

A vida aos poucos ensina

 
 
Em meus olhos carrego o outono
E no coração, uma saudade indefinida
Já me abriguei demais em sonho...
Já tenho como amiga a melancolia.

Mas apesar da falta que carrego
desde a longo tempo,
Seguem as folhas secas,
como um ode á vida,
dançando com o vento.
O sol segue iluminando os quartos
a cada novo amanhecer.
Em algum lugar, em solo árido,
sementes brotam e insistem em crescer!

Tais como elas,
Contradizendo o cansaço,
as feridas em meus pés
não impedem meu passo.

O sofrimento constante
que meu corpo abriga,
minha luta de cada dia,
não paraliza.

Os julgamentos e a hipocrisia
que esse mundo idolatra e atira,
não dizem quem sou
e nem meus sonhos limita!

E se em frente á dor,
não tivesse ardor,
não levantaria
mais e mais uma vez!

Ardor que a vida me ensinou,
com suas rosas entre as ruínas,
Que mesmo após o fogo,
sempre traz um verde novo;
Recomeço á paisagem destruída!

Me ensinou que cada ser-essência,
ao se nutrir de amor, cresce e espalha,
apesar de toda dor; apesar de cada lágrima,
o croma de uma flor onde o cinza imperava!

Me ensinou que mesmo
quando a escuridão
parece ser imbatível e infinita,
Mais forte do que ela
é a chama da vida!

Ensinou que cada um é uma centelha divina,
capaz de irradiar a luz sagrada Daquele
que a todos ama, que tudo criou
e que o todo harmoniza!

Aprendi que seguir o amor,
É luta que cura e dá significado ás feridas;
É trazer e receber esperança
na temporada mais fria e obscura;
É desfrutar cada vez mais a paz
que a alma no simples, acha;
Encontrar no agora o que antes a lançava
em complicada e desesperada procura!

 
Autor
RaphaelVilela
 
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