Poemas -> Introspecção : 

Confissão silenciosa

 
Não disse palavra.
Mas o mundo inteiro ouviu.

Havia um rumor antigo na minha alma,
Como quem empurra portas fechadas
E encontra apenas o eco da própria respiração.

A ilusão era minha — sempre foi.
Nenhuma voz me enganou,
Nenhum olhar prometeu o que não podia cumprir.
Fui eu quem enfeitou o abismo,
Pintou pontes onde só havia precipício,
E chamou de caminho aquilo que era só vertigem.

Quantas vezes o desejo costurou milagres
Com linhas que não existiam?
Quantas manhãs acordei jurando
Que o impossível cedo ou tarde iria ceder?

Não cedeu.
Eu cedi.

E na hora em que a verdade finalmente chegou,
Não houve gritos, nem tempestades,
Apenas um leve estremecer,
A nudez de um pensamento cansado,
E um silêncio tão pesado
Que quase fazia barulho.

Minha confissão não coube na voz.
Coube apenas em mim:
O reconhecimento de que a fantasia era obra-prima,
Mas o artista era cego.

E foi assim que aprendi, tarde, mas inteiro,
Que às vezes a mentira mais cruel
Não vem do outro,
Vem do amor que inventamos
Para não morrer de falta.

Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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@poetacacerense
 
Autor
Odairjsilva
 
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