Poemas : 

Se já não corres, aprende a voar

 
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Oceanos que separam casas: a tua e a minha.
Bocas sedentas de saliva
lambem o fel da ferida
na pele árida de frio.

Da casca vulnerável
e da pele fina das mãos
que seguram o coração da tua amada.

Da tua amada, “mulher da tua vida”.
É o que dizes.
Mas o meu frio aprendi a matar com outros.
Não estavas lá. Nunca.
Nunca.
Portanto, ama outra. Não a mim.
Mas eu sei.

Os pés, outrora de um corredor,
agora descansam atrás da porta.
Esperam que alguém chegue.
Mas não vai chegar.

Cheguei um dia.
Agora, talvez, seja a tua vez.

Não vou.
Não há quem me tire do chão.
Sou menina velha,
mesmo com coração.

Tenho mais o que fazer
além de sonhar e escrever.

Quero coisas terrenas,
não coisas pequenas.
Terrenas do tamanho de torres,
castelos,
montanhas.

Já não corres,
então aprendes a voar.

 
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rebecarocha
 
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