Oceanos que separam casas: a tua e a minha.
Bocas sedentas de saliva
lambem o fel da ferida
na pele árida de frio.
Da casca vulnerável
e da pele fina das mãos
que seguram o coração da tua amada.
Da tua amada, “mulher da tua vida”.
É o que dizes.
Mas o meu frio aprendi a matar com outros.
Não estavas lá. Nunca.
Nunca.
Portanto, ama outra. Não a mim.
Mas eu sei.
Os pés, outrora de um corredor,
agora descansam atrás da porta.
Esperam que alguém chegue.
Mas não vai chegar.
Cheguei um dia.
Agora, talvez, seja a tua vez.
Não vou.
Não há quem me tire do chão.
Sou menina velha,
mesmo com coração.
Tenho mais o que fazer
além de sonhar e escrever.
Quero coisas terrenas,
não coisas pequenas.
Terrenas do tamanho de torres,
castelos,
montanhas.
Já não corres,
então aprendes a voar.