Amo te em voz baixa, sem retorno,
conto passos na rua do teu não.
No vidro embaciado moldo o teu nome,
desfaço-o, mas não do coração.
A casa é grande, cabe o meu transtorno,
os móveis já não me querem ouvir.
É tarde e o relógio esquece as horas,
só tua ausência insiste em repetir;
num eco que se perde no sem-fim,
é o silêncio vivo que mora em mim.
Volto da noite com as mãos vazias,
trago o perfume da chuva e cidade.
Ponho a chave na porta com cuidado,
como se tu dormisses na metade.
A solidão e eu, vidas vazias,
frente a frente deixamos de exprimir,
cada um aprendendo a não falar,
só tua ausência insiste em repetir;
num eco que se perde no sem-fim,
é o silêncio vivo que mora em mim.
Quando o dia começa, vou contigo,
mas és sombra que foge para além.
Fico preso ao rasto do teu gesto,
só tua ausência insiste em repetir;.
num eco que se perde no sem-fim,
é o silêncio vivo que mora em mim.
Carlos Lopes