Friday, 27
Amanheceu chuvoso, mesmo assim o Sr. Com banhou-se no quintal com agua fria e ao ar livre com sua bermuda fedendo a urina. Deus estar operando – pensou enquanto enxugava-se com sua toalha mofenta ainda no quintal – desde ontem a noite quando pegou os trezentos ‘ bacuraus’ das mãos do prestimoso Ed que o agente cultural e provedor deixara-a para ele – sentiu-se um novo ser como uma fênix renascendo das cinzas e dos escombros literários amontoados nos seus armários. Se Hall, o seu agente literário cibernético o tivesse conhecido em dezembro e tivesse dado-lhe essa injeção de reconhecimento e valorização dos seus escritos, com certeza o poeta canalizaria toda verba da bolsa para custear esses projetos essenciais para sua redenção que agora que ele desenvolve com o raspa do tacho – Vai enviar “O Mundo do Sr. Con” para as editoras conforme Hall lhe aconselhou, depois da leitura e analise minuciosa do mesmo. Então baixou no poeta o espirito de Martin Eden, alter-ego do mestre Jack London.
A goteira gotejava pelo buraco do bocal da lâmpada enchendo o balde abaixo. A viga descascada do reboco ameaçava desabar a qualquer momento. A janela de Gordilho fechada. O pedreiro Marcio fumando a caminho do trampo na rua 20 – o derriere da bela morena cinquentona da rua 25 vindo de deixar a neta no jardim – antes quando descia, no canto dos paraibanos pasteleiro o encontro com a outra bela da rua 23 a caminho da academia, toda apertadinha dentro de um short de lycra e o lenço cobrindo a prosseguida.
- Bom dia, sr. Com – cumprimentou-o com um largo sorriso que encadeou o poeta.
Quase meio-dia – Na parada em frente ao imponente supermercado Mateus do Renascença, depois de postar as duas cartas no Correio próximo e bem escondido e é o único que funciona aos sábados, próximo ao campus do CEUMA. Foi Seu Salomão que imprimiu, xerocou e encadernou os quatro volumes. Comprei uma Havaiana na loja em frente a praça das sete Palmeiras com a vendedora com o rosto semelhante a Dira Paes - com tudo pronto e nos seus devidos envelopes parti num Paraiso, não desci na Areinha a agencia dos Correios fechada e de mudança para a Rua São Pantaleão, centro. Lembrei-me de uma no Renascença, mas acho que é o centro administrativo, então o rapaz informou-me dessa agencia bem secreta por assim dizer. Não gostei pois me cobraram um pouco do esperado, que paguei na segunda. E o importante é que cheguem aos seus destinos.
As borboletinhas amarelas encantaram uma pequenina aboletada no carrinho de compra. A beleza do dia, depois desses atrapalhos todos, foi achar um Rimbaud em francês numa banca próximo ao shopping e ainda ganha-lo gratuitamente “Poèsies” para desenferrujar o meu francês fajuto que aprendi sozinho – Será que Hall traduziria “Le Monde du Mons. Con” para o francês?
De volta a Vila Embratel, paguei e emprestei uma verba para o meu compadre e no Antonio da Praça do Bacurizeiro comprei desodorante, leite de rosas, sabonete bacteriano e quatro pilhas. E retornei cansado para a pensão, já botei o resto de ontem para descongelar no forno do fogão.