Mais, ainda na mesma manhã – Choveu e na expectativa da agua, emocionou-se com o final de “Time out of minds” – sem teto George (Gere) saindo do bar onde a filha trabalha, o namorado dela entra e ela sai correndo a procura e ao vê-lo bem a frente, sai correndo atrás dele – legal. Vão se reconciliar.
Capturando o momento – foi a máxima do impressionismo – é assim que o poeta tenta fazer nos seus insipientes textos – dar vida a quem não tem. Robert Red Church – o primeiro negro americano milionário. Os pixixitinhos chegaram e com os litros para encherem – a bomba desligada e tudo cheio. O poeta um pouco travado, dois quartilhos de vodka iluminam a sua mente, fora buscar no Lasierra, depois do meio-dia e do chuvisco.
Quarta-feira, 22 de Abril
A pequenina saíra cedo para fazer exame de sangue numa clinica no Coroadinho, há meses vem lutando contra uma infecção bacteriana num dos olhos. Pobre menina, muito sensível, as vezes Sr. Com desconfiava que a mesma fosse autista ou bipolar.
Depois das sete – abri a oficina, cabreiro com receio dos rebocos laterais da viga no chão, mas tudo bem – até aqui, tudo bem – nem o balde com a agua da goteira não transbordou – mesmo assim o esgotei. O filhote do verdureiro aboletou-se na cadeira e o pai, um guerreiro arrumava metodicamente as espigas de milhos no carro de mão. O poeta apanhou a caneca, ao ver Gordilho conversando com D’Paul no canto e rumou para lá, deixando o pixixitinho entretido no Street Fighters.
- Com tu adivinhou que não era o vinho? – perguntou surpreso o poeta ao ver Gordilho trazendo a garrafa térmica.
- Vi a caneca – deduziu.
- E não tem nenhum um pão perdido por ai? – perguntou, antes que Gordilho sentasse atrás do velho bureau e esse voltou a desaparecer por trás da geladeira, voltando com uma sacola e um pão massa fina dormido de ontem entregando-lhe.
- Bolota ou Marinaldo, irmão do carroceiro maneta Mariano ou Marujo adentrou e pediu um quarto da ‘marvada’ e a entornou num gole só, sem cuspiu e ainda lambeu os lábios. Eta Caboco bom!
Meia hora depois juntos num Paraiso- Via Jambeiro. A fila considerada em frente ao TER da Fonte do Bispo/Anel Viario.
- Ainda bem que já me cadastrei desde fevereiro – vangloriou-se o poeta, ambos sentados atrás do motorista. Desceram e se separaram no termoinal da Praia Grande, o Sr. Com apanhando um Vila Luizão-Via São Francisco que passava na Deodoro, onde desceu e rumou para o grande templo.
O velho “sistema” fora do ar devido as chuvas – O sr. Com alegrou ao ver Jane Austen “Razão e Sensibilidade” e Dickens “Conto de Duas Cidades” – não hesitou em apanha-los, não estavam disponíveis para empréstimo, somente expostos no balcão. Ora que merda! Encantou-se com as primeiras paginas de Austen e o seu velho tema – herança. O ‘sistema voltou:
- Olha tem uma multa aqui – disse a atendente consultando o computador.
- Não, a entrega é hoje – replicou o poeta veementemente, entregando=lhe o cartão.
Com o erro do ‘sistema’ corrigido, o Sr. Com subiu para apanhar “Elis Regina – Nunca Será como antes” de Julio Maria.
O cheiro de peixe frito vindo da cozinha industrial do Restaurante do SESC odorizava o banheiro enquanto Sr. Com aliviava-se de suas naturezas.
Depois dos tramites de sempre, chateado por não poder levar Austen e nem Dickens o poeta sentou-se no topo da escadaria com as costas apoiadas numa das colunas gregas da biblioteca publica e pegou a primeira porrada – o dia da morte da pimentinha aos 36 anos, seu filhos pequenos alheios – triste, a agonia do namorado ao encontra-la semi-morta – Bem o tempo urgia, desceu a escadaria e sentou-se mais em frente na banca de um velho conhecido da Vila, morando na Camboa e vende agua de coco. Conversaram, trocando informações.
Teve a nítida impressão que vira ao longe um navio ao largo, entrando no canal do porto do Itaqui e deu-lhe uma vontade louca de vê-lo e desceu novamente no terminal e sem muitas delongas estugou os passos. A praça nova dos Açorianos e a mureta da avenida beira-mar, atrás do coreto, mais infelizmente o mesmo desaparecera na bruma fina – O ultimo navio que vira, foi na quinta feira passada, ao concluir a sua epopeia urbana vindo da clinica da Cohab – o bicho era grande, um graneleiro.
Encontrou na plataforma do terminal, o mano Vince vindo do fórum, resolvendo a sua novela da aposentadoria. O poeta entrou num Piancó pela frente e concentrou-se na leitura da pimentinha em Porto Alegre.
Todos caminhos levam ao Comercial Vila na lateral do mercado da rua 17 e o poeta não pode negar a natureza. O mestre Lasierra almoçando o caldo de ovos com torrada, o Charmille e a grandona fechados ao meio-dia. Lasierra dando as coordenadas de como o poeta deve proceder – comprar apenas uma rede, uma mala, um radinho se mudar para um quartinho na área do centro e Desterro, comer nos restaurantes populares, nada de cacarecos para atrapalhar. O poeta pensou e emborcou umas quatro doses e desceu para a pensão ler “Elis” antes do almoço. Porém pegou os pães na Renascer da Praça das Sete Palmeiras, Vila Embratel.