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Escrever ao som de... 2016

 
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Continuamos com a nossa rubrica, que tem revelado a grande criatividade dos autores do nosso site. Nesta semana, tivemos contributos de Alemtagus, klopes, AlexandreCosta, Benjamin Pó, Alpha, agniceu, FragmentosdeSonhos, Liliana Jardim, Luxena, Aline Lima e gillesdeferre.
Venha fazer parte deste nosso projeto! Escolha um ano e deixe que as canções o levem até onde só a poesia consegue chegar.

Estamos a meio do percurso: o ano de 2016!

A primeira canção é da banda O Terno, banda de indie rock de S. Paulo, cujo vocalista, Tim Bernardes, é bastante conhecido dos dois lados do Atlântico, tendo recentemente realizado vários concertos em Portugal Quanto à canção escolhida, chama-se "Volta" e integra o álbum "Melhor do Que Parece", lançado em 2016. É um ótimo cartão de visita para este grupo, com arranjos simples, mas de grande elegância.

A segunda canção é de David Fonseca, músico português que explora um registo pop com forte componente visual. A canção “Chama-Me Que Eu Vou” integra o álbum "Futuro Eu", em que o artista opta por cantar em português em vez de em inglês, como tinha acontecido na fase anterior da sua carreira. Por isso, este disco marca uma mudança na sua discografia, aproximando as canções de um tom mais direto e ligado ao quotidiano.

O Terno – "Volta"


David Fonseca – "Chama-Me Que Eu Vou"


O som está lançado. O poema, agora, é seu.

Nota: Caso não se identifique com nenhuma das canções sugeridas, pode inspirar-se numa outra, desde que seja do ano a que se refere o post.


 
Autor
Luso-Poemas
 
Texto
Data
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395
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3
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Enviado por Tópico
Alemtagus
Publicado: 20/04/2026 18:14  Atualizado: 20/04/2026 18:14
Moderador
Usuário desde: 24/12/2006
Localidade: Montemor-o-Novo
Mensagens: 4223
 Re: Escrever ao som de... 2016
Se algum dia me esquecer de ti
Das linhas curvas do teu sorriso
D'um doce encanto do teu olhar
Virei em leves silêncios até aqui
Sentir da poesia o velho paraíso
E ler-te qual marinheiro no mar

S'a cada dia te roubar um abraço
Daqueles qu'apertados me davas
Assim juntinhos a tanta distância
Terei de tod'as estrelas do espaço
Rios e pássaros que mais amavas
Flores em cores d'doce fragrância

Escreve assim num pedaço d'mim
Só o teu nome em letra de poema
Um beijo com os sabores de gente
Amigos e irmãos que não têm fim
De onde tiro do proveito sua fama
E de ti todas as letras infinitamente

Enviado por Tópico
AlexandreCosta
Publicado: 21/04/2026 11:57  Atualizado: 21/04/2026 11:57
Administrador
Usuário desde: 06/05/2024
Localidade: Braga
Mensagens: 1612
 Re: Escrever ao som de... 2016
"Volta" - O terno


Quando voltares...

estou aqui

apesar duma respiração
que me falha
dedos
no fio da navalha
quase exânime
na demora que me calha

mas vejo na saudade
a luz que me falta
a tua luz
como mortalha
a cobrir-me na morte
para a ressurreição

uma acendalha

e se já respiro
não é de ver-te
é de ter-te
na fornalha
poema quente
escorrendo a calha
a dizer
(quando voltares)
jamais ruiu
esta muralha


21-04-2026

Enviado por Tópico
Alpha
Publicado: 22/04/2026 17:22  Atualizado: 22/04/2026 17:22
Membro de honra
Usuário desde: 14/04/2015
Localidade:
Mensagens: 2329
 Re: Escrever ao som de... 2016
Contigo eu vou ser o que sou

Nada em mim ficou inteiro
para chamar de certeza.
Sou vento
partidas cedo demais
caminhos que falhei.

Mas desde que te vi
há algo que não foge
um peso doce no peito
como se o coração cansado
tivesse enfim onde cair.

Sou esse barco à deriva
escuro, inquieto, sem direção
mas em ti há uma luz quieta
que não pede porto
só rumo.

E eu vou
não por saber
nem por coragem
mas porque em ti
não fujo de mim.

Se me chamares, vou
mesmo quebrado, mesmo breve
com tudo o que em mim falha.

Porque é contigo
que o temor abranda.

Contigo
eu sou o que sou!

Enviado por Tópico
Luxena
Publicado: 22/04/2026 22:55  Atualizado: 22/04/2026 22:56
Da casa!
Usuário desde: 07/03/2025
Localidade: Brasília
Mensagens: 242
 Re: Escrever ao som de... 2016
Therac-25 (Luxena e JotaPedr0)

silêncio
esse calor no meu peito
foi... foi a luz de Hemera
em feixes com formato de quimera

sua alma jovem de gosto vivido
tão fluido quanto vidro
diante daquilo do pretérito
torna-se afável

enquanto você me arranca "elétrons"
eu me delicio com o proibido
em segredo, a minha libido
passa daquele muro de chumbo

minhas partículas atravessando sete mundos
começo a escutar acordes diminutos
trastes e insetos em frequência desproporcional

uma urgência quase angelical
uau... até parece um sonho
mas vagando por errôneos
dessa vez, opostos não se atraíram

Enviado por Tópico
Benjamin Pó
Publicado: 23/04/2026 13:23  Atualizado: 23/04/2026 13:23
Administrador
Usuário desde: 02/10/2021
Localidade:
Mensagens: 950
 Re: Escrever ao som de... 2016
.
spoiler

justo agora
que ia saber o final
para vos contar
é que o filme se converteu
em fotografia
a música silenciou
lacerada uma colcheia
a bofetada do ator
passou a aceno
o cenário devorou
em névoa o movimento
e rasgo a folha
com os olhos a pensar
qual das metades
é justo
agora
que vos ofereça

(inspirado na canção "Chama-Me Que Eu Vou", de David Fonseca)

Enviado por Tópico
klopes
Publicado: 24/04/2026 17:09  Atualizado: 24/04/2026 17:09
Muito Participativo
Usuário desde: 15/02/2026
Localidade: Lisboa
Mensagens: 65
 Re: Escrever ao som de... 2016
Onde Eu Sou

Passo o semáforo a correr,
sinto a pedra do corrimão na palma da mão,
Vou-te encontrar.
Não é destino, é só pressa de te ver
nesta esquina onde o vento cheira a café.

Convida-me que eu caminho,
mesmo que a rua seja íngreme,
mesmo que os meus ténis se gastem na calçada.
Sou faísca a roçar nos casacos que passam,
um ponto em movimento.

Vou em direção a ti.
Moras no espaço todo da minha ideia,
embora sejas apenas tu, aí parada,
com esse riso meio solto que desarmas sem esforço,
bastando o reflexo a bater nos vidros das montras.

Contigo eu sou.
Não o que fui ontem, nem o que serei depois,
mas este agora, frenético e simples,
nesta rua que, de repente,
se molda aos nossos passos.

Carlos Lopes

(inspirado na canção "Chama-Me Que Eu Vou", de David Fonseca)

Enviado por Tópico
AlexandreCosta
Publicado: 27/04/2026 11:11  Atualizado: 27/04/2026 11:11
Administrador
Usuário desde: 06/05/2024
Localidade: Braga
Mensagens: 1612
 Re: Escrever ao som de... 2016
"Chama-Me Que Eu Vou" - David Fonseca


Acho que vai dar certo, certo?

jamais te dou como certa
eu que incerto sou
construo-me nas incertezas
de querer ser
o certo
e por vezes surjo errado

só estou certo da tua incerteza
e para dar certo
acerto-me nos pontos
em que possas ser errada

erraremos sempre acertadamente
se estivermos certos do erro

e assim
mesmo não tendo a certeza
acho que vai dar sempre
certo


27-04-2026

Enviado por Tópico
Aline Lima
Publicado: 27/04/2026 19:01  Atualizado: 27/04/2026 19:01
Administrador
Usuário desde: 02/04/2012
Localidade: Brasília- Brasil
Mensagens: 1187
 Re: Escrever ao som de... 2016
.
Sem devolução

vai
e leva contigo o que escuto
no chão
onde ainda não estiveste

o riso falha
e escapa
a rua, a casa, a noite
tuas, mesmo vazias

no instante que não se prende
vibra, escorre, respira
enrosca-se nas mãos
que não seguram
mas se reconhecem

o tempo não passa
para
e gruda
na pele
no ouvido
no que não obedece

o abraço
não devolve
abre

o mundo se cala
feito água
depois da superfície

Enviado por Tópico
agniceu
Publicado: 17/05/2026 22:52  Atualizado: 17/05/2026 22:52
Colaborador
Usuário desde: 08/07/2010
Localidade:
Mensagens: 808
 Re: Escrever ao som de O Terno – "Volta" 2016
O astrolábio dos corações sem manual de instruções

Os mapas
mostravam estradas
ao contrário
dos passos dados.

Escolhemos seguir em frente
quando os sinais mostravam
alertas de nevoeiro intenso.

Não fomos pelas vias rápidas;
escolhemos o caminho das cabras
e só encontrámos carneiros
a marrar nos calcanhares
e nos rabos,
atordoados de medo.

Mais tarde,
optámos
por separar
o que demos
com os braços
quando o caminho
trilhou
os nossos laços.

Desde aí,
olhamos mais para o rasto
dos sapatos
do que para a dianteira
dos passos,
tentando medir a distância
do que não fomos,
nem por um dia,
tão pouco.

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