Se lês tão pouco, andarás pela planície,
Repetindo ecos gastos da multidão;
Teu pensamento será rasa superfície,
Refém do vento e da mesma opinião.
Serás mais um na fila dos que passam,
Sem lume próprio a arder na escuridão;
Teus olhos verão só formas que disfarçam
O vasto abismo oculto em cada questão.
Mas se lês muito, acendes outro fogo,
Rompes o molde estreito do banal;
Te tornas artífice do próprio jogo.
Pois cada livro é lâmina e é punhal,
Corta as correntes, rasga o véu do demagogo,
E faz de um homem raro um ser sem igual.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense