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| Luxena | Publicado: 30/03/2026 23:06 Atualizado: 30/03/2026 23:07 |
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Super Participativo
Usuário desde: 07/03/2025
Localidade: Brasília
Mensagens: 175
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Arco de Íris
essas cores bonitas fazem-me pensar por até as coisas são assim num mundo de possibilidades infinitas eu só queria estar nos seus cachos pra poder te acompanhar aonde quer que você vá seguindo os seus passos sei que o mundo não é mais o mesmo tento usar difíceis termos e é tudo em vão onde é que você tá? não te encontro em lugar algum eu buscando alguém que não há |
| Enviado por | Tópico |
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| Alemtagus | Publicado: 31/03/2026 07:56 Atualizado: 31/03/2026 07:56 |
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Moderador
Usuário desde: 24/12/2006
Localidade: Montemor-o-Novo
Mensagens: 3959
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A natureza morta em tela vive
É gente de olhar negro viciada Pela nudez da neblina púrpura O chão d'Ismael não se revive Sangra como sangrou sagrada Mão que lhe ergueu alma pura No horizonte deflagra um grito Ecoa por tantas fomes e sedes Da voz criança sem esperança A raça desse ser humano aflito Dorme num chão sem paredes Algemada à sua negra herança Aquela cegueira muda olha-me O tempo só e inerte sepulta-se Embrulhado em sangue e fogo O passado sem futuro leva-me A cor da minha pele suicida-se No surdo fôlego do último jogo |
| Enviado por | Tópico |
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| MarySSantos | Publicado: 31/03/2026 15:19 Atualizado: 31/03/2026 15:20 |
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Colaborador
Usuário desde: 06/06/2012
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Mensagens: 6052
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inquieto-me enquanto o tempo
segue cego às horas de mim e eu sem rumo tento colher os instantes que escorrem do que fui. há um silêncio que me pede calma mas a alma teimosa insiste em correr talvez porque saiba que o tempo não volta apenas deixa-se escrever. quando a noite me encontra traz consigo um espelho sem moldura onde encaro versões de mim que o dia não quis notar. há memórias que voltam descalças para não marcar o chão recente mas basta um gesto um quase toque e tudo o que se esconde começa a florir. mas a inquietude é uma sede sem mapa da fonte um chamado que nasce no peito e não sabe dizer o nome às vezes penso que é falta em outras que é excesso como se algo em mim pedisse abrigo e ao mesmo tempo quisesse partir. no fundo temo menos o tempo do que o que ele revela de mim essas inquietações são frestas d' onde a alma escapa para confessar o que nunca escrevi. |
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| Alpha | Publicado: 01/04/2026 18:32 Atualizado: 01/04/2026 18:32 |
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Membro de honra
Usuário desde: 14/04/2015
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Mensagens: 2314
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Não Sei.
Acordo já cansado como se tivesse passado a noite a discutir comigo e perdido no espelho evito ficar há dias em que reconheço outros não trago perguntas comigo que não sei dizer a ninguém há um ruído constante não é pensamento é pressão lembro-me de coisas pequenas conversas a meio pessoas que deixei ir às vezes espero que algo mude sem mexer um dedo como se a vida me devesse isso e continuo não por esperança mas porque ainda não sei como parar! |
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| Benjamin Pó | Publicado: 02/04/2026 14:51 Atualizado: 02/04/2026 14:51 |
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Administrador
Usuário desde: 02/10/2021
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Mensagens: 935
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o que fica pelo caminho a sós agradeço às palavras a revolta pelo nada que me devem e deixo a voz solta pelos caminhos para que os estorninhos em debandada a levem (inspirado em "Inquietação", de Naifa) |
| Enviado por | Tópico |
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| agniceu | Publicado: 02/04/2026 22:44 Atualizado: 02/04/2026 22:44 |
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Colaborador
Usuário desde: 08/07/2010
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Mensagens: 780
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Naifa - "Inquietação"
Ecrãs Imorais Os olhos em brasa, sentindo as raízes à flor da seiva, o fumo a escorrer pelas fendas, deixando o verde defunto nas montanhas de luto. Os olhos assustados, com o susto das balas, encurtando a multidão, valendo mais que um milhão de riais. Os olhos prostrados, vendo aqueles que sabem demais, jogando com a bolsa antes mesmo do Tal abrir a boca. Os olhos em baixo, espreitando os demais, que estreitam o caminho por causa do estreito que deixou o sangue dos veículos mais precioso. |
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| gillesdeferre | Publicado: 03/04/2026 18:21 Atualizado: 03/04/2026 18:38 |
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Colaborador
Usuário desde: 14/06/2024
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Mensagens: 531
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"Um de Nós"
não são por ti estas palavras torpes foste na tua liberdade. no teu egoísmo. no teu projeto. na tua vida. certíssimo. são palavras com letras de vento morno. são letras colhidas na terra fétida forte erótica do teu sexo. sons de montanhas encolhidas num fundo de retrato medíocre. são maneios imagens metáforas ilusões como tu na sombra da cama onde sôfregos nos torturávamos por uns instantes de orgasmo. como fôssemos doentes e cegos e mudos e sofrêssemos a morfina de um alívio. estas palavras são na vez das horas perdidas. do teu cheiro no final do dia antes da lua. são palavras de luar, de rostos escondidos nos recantos do quarto aguardando a tua vinda. são palavras do futuro. são palavras de um filme de ficção científica. são o encontro que nunca ocorreu. são o lixo do sonho e do desejo. são a vil traição da esperança. são a mentira crónica do teu hálito no interior do cérebro. são cólera. são o vento. há no horizonte uma terra cavada, aberta, aguardando a semente do teu corpo inteiro. são palavras feias, sujas, vincadas, ferozes. são larvas. |
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| Aline Lima | Publicado: 05/04/2026 20:00 Atualizado: 05/04/2026 20:00 |
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Administrador
Usuário desde: 02/04/2012
Localidade: Brasília- Brasil
Mensagens: 1154
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apneia de gesto o corpo se adianta como quem reconhece um sinal que não veio respondo antes e perco o compasso arrumo as coisas sem saber o que procuro troco tudo de posição como se assim chegasse mais perto uma gaveta aberta já é um começo ou um erro um resto de urgência mal acomodado entre os gestos alguma coisa respira muito perto não vejo ouço como se me chamasse pelo nome que ainda não tenho qualquer coisa sempre quase ao alcance da mão algo que mudaria o que ainda não é o ar encolhe por dentro quando me dou conta já fiz antes de saber o quê ainda |
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| Aline Lima | Publicado: 06/04/2026 03:40 Atualizado: 06/04/2026 03:40 |
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Administrador
Usuário desde: 02/04/2012
Localidade: Brasília- Brasil
Mensagens: 1154
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Um lugar depois curioso isso de amar ruínas: a gente se abriga nelas como se ainda fossem casa. dizer “ainda sinto” soa nobre, quase literário mas é só falta de saída com boa dicção. dói baixo, em brasa mansa, uma falta que fala quando a noite avança recomeçar, no fim, não é coragem. é cansaço. e assim hoje, só hoje, estar um pouco menos no que acabou. ir talvez caber em si um pouco mais. |
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| AlexandreCosta | Publicado: 09/04/2026 00:27 Atualizado: 09/04/2026 00:27 |
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"Inquietação" - A Naifa
Bicho estranho conheço-te ness' ânsia, é a que trago porquê? também não sei... antes soubesse fugir do bicho estranho que me tece em palavras, na alma, sem afago o mais que as disseque me parece que mais virão atrás, um grande lago eu barco de questões furo e naufrago e o bicho na pressão se engrandece constante a pergunta: sou eu mesmo? quem mais fará da massa um torresmo e fumos que se escapam pela mão? mas vale-me que a sorte vem num beijo- ambu e mais o abraço e depois vejo que cada dia é morte e salvação 09-04-2026 |
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| AlexandreCosta | Publicado: 10/04/2026 11:46 Atualizado: 10/04/2026 13:26 |
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Localidade: Braga
Mensagens: 1470
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"Um de nós" - Marcelo Jeneci
Que sejam dois que sejam dois já que só um é pouco por saudade de extremo a extremo um que saiba onde não está outro que esteja onde não saiba que sejam dois opostos em linha a caminhar sem noção de quem mais sofre pela falta que ambos sentem e não sabem que o tempo não desfaz nem lhes dá nó que sejam dois que só saibam o que foi o que não volta, mas queda-se e rasga o colete de forças de uma loucura que cobra ao infinito o não destino que sejam dois - que sejam um que ser nenhum jamais é ser 10-04-2026 |