Do meu cérebro a minha alma,
Do sabor doce a natureza que acalma
Estou vivendo em minha mente
E fora dela, tudo passa
Se vejo algo caro,
Ou algo simples,
Se vejo onde nasci
Ou um parque muito bonito
Tudo isso me causa o mesmo
Sensações desprovidas do intenso
Não sei se é uma maldição da velhice
Ou de dopamina barata nas mãos
Passa mais um dia, me pergunto, foi em vão
Meu coração vai perdendo o apetite
Fica cada vez mais claro
Tudo é alugado nesse mundo
Até os sabores, até as dores
Até meus dedos e o amor que pratico
O ódio que passa e sinto
Eu já não sei qual o sentido disso
Eu já sinto que estou passando
A gasolina do veículo são meus anos
Se eu comprar uma casa, não vai ser minha
Minha alma não é daqui
Sobreviver, mais uma vez
A esperança de fazer
Mesmo que tudo um dia vá morrer
Um livro não é eterno, tem começo, meio e fim
Talvez, a beleza desse mundo seja o processo
Ser presenteado pelo presente e seguir