Estou a me entorpercer
Pro meu dever esquecer
Porque tenho abundância de comida
Não preciso caçar, arriscar a minha vida
A maldição de não precisar
É não fazer nada
E não fazendo nada
Você se torna o nada
Quem é você, deitado em uma cama?
Quem é você, que o dever não chama?
Quem é você? O que você faz?
Fazer define o você?
Quando o caos jaz instaurado
E carregas culpas não tuas
Quando te dizem que é ruim você fazer
Resta virar as costas, hedonismo no prazer
Disseram-me para não comandar
Disseram-me para não construir
Disseram-me para não multiplicar
Disseram que a minha mulher não era minha
Pobre de mim, qual o sentido faz estar aqui?
Catarei apenas o que posso levar
E pra longe vou viajar
Até que meus dias se tornem vazios
No silêncio terei meu reino
Onde eu serei meu próprio súdito
Se eu carreguei toda a calma e mansidão
Pena tenho eu de quem ficou com o caos e o turbilhão
Bem vindo ao futuro
Sem ordem, responsabilidade, obrigações
Não existem mais regras, somos livres
Livres para nada construir