Quarta-feira, 15
Uma vaquinha alva pastejava sossegadamente o mato rasteiro que vicejava rente ao rego do outro lado de frente a oficina do Sr. Com na Avenue Sarney Son, Village Embratel – enquanto ele viajava com Eva Schloss na Londres dos anos 50 no século passado, trabalhando num laboratório fotográfico arranjado pelo seu futuro padrasto Otto Frank, pai da pequena Anne Frank, aquela do diário. Os ferros de juvan estirados no meio do atelier, logo que chegou e constatar que o reboco da viga ainda não desabara, (mas a cada dia afastava-se mais), esgotou a agua da goteira de dentro do balde cheio.
Ainda na pensão começara o dia lendo em pé no peitoril da janela de seus humildes aposentos com vista para o pequeno terraço encimentado e a rua
“Vivendo & Escrevendo” – uma de suas perolas – digitalizado e encadernado, escrito em 2014 enquanto convalescia da tuberculose, publicado pela Amazon, a mesma que vende “Vila Embratel/Praça Sete Palmeiras” também de sua autoria pelo exorbitante preço de 104 reais – Puta que pariu, mano – isso é que queimar um aspirante a escritor. Os americanos da Amazon com os malditos da CIA querem mesmo incinera-lo diante do grande publico. Mas tudo bem, o poeta é como osso de baleia, verga mas não quebra.
Tangidos pelos gritos de Seu Alcides, a pequena manada de um garrote e três vaquinhas faceiras dispersam-se tranquilamente rumo ao retorno lá de cima.
Depois de lê-lo, atacou Garnin “O Refúgio dos Deuses” – quando dirigia um de seus filmes com o ator Jonh Barrymore – sempre em pé na janela.
Chilado, puxando da perna, irmão do carroceiro maneta Mariano ou Marujo e de Bolota ou Mrainaldo vindo com uma sacolinha do café no Restaurante Popular, onde custa simbolicamente cinquenta real com direito ao acompanhamento e o almoço apenas um real, assim como a sopa ou cachorro quente no final da tarde. Este sim um atuante serviço social do estado.
- Ei, Baixinho! – gritou o carroceiro maneta Mariano ou Marujo do varal de sua carroça carregada de andaimes de seu Asterix para Barbeirinho que vinha do mercado – Olha como seu Valdir vem ali, fechando o transito.
Seu Valdir, um notório bebum, ex-pintor de parede e um exímio jogador de futebol, que fora assediado pelo Tuna Luso do Pará, ele preferiu a Vila Embratel e a sua finada mãezinha Dona Jesuina. Eles moraram num casarão colonial da rua Afonso Pena ou rua Formosa, no Desterro, o afamado Mata-Homem bem na esquina com a travessa da Lapa. O poeta nascera e se criara nessa mesma rua e a eternizou nesse singelo poema:
Deturparam a tua paz
Madeira é serrada dia a dia
Os tecelões tecem o tempo
A vida passa
Sem bater o ponto final – o poema faz parte do “Itinerário Poético & Espiritual do Desterro” de 1981 e publicado em 1998 com as ações da Telma(telebrás) que o poeta na época datilografo do Tribunal de Justiça, lotado no Juizado Civil e Criminal do João Paulo.
O poeta nutria por seu Valdir. sentimento mutuou, enquantos todos o escarnecem e vira a cara, o poeta louva e ele também – Seu poeta eu te amo – costuma dizer quando se encontram. O poeta o recepciona como um chefe de estado. Um bom companheiro.
Com uma fomizinha e uma dorzinha chata da ciática foi ao Gordilho – um genérico de coca da River, um pão dormido e dois comprimidos de Dortrirelax@. Separou um livro de direito para dar ao futuro causídico Fabio, folho do amado e comandante Lasierra.
- Larga de brigar ai! – advertiu a Sra. Vince almoçando e vendo o jornal do meio dia da Mirante rodeados pelos seus astutos felinos, mamanhando os sobejo dela.
- Lui? Lui, sai dai – grita irritada a Pequenina para um de seus ladinos gatos sempre em busca de uma malignidade.
Tom, o gato agregado somente no terraço, cochila sobre a tampa da fossa, de pois do rango.
O poeta desvencilhou-se de uma missão cabeluda do mestre Lacerda, repor o portão de aluminio da casa do enteado no lugar; - Não, comandante procura outro, não dar pra mim – e saiu a francesa rumo ao Antonio’s da Praça do Bacurizeiro, comprar umas pilhas para o rádio. AS duas laranjas nas irmãzinhas. E a volta a pensão.