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O mundo do sr. Con = Terça-feira

 
Terça-feira, 02 de junho de 2026
- Tem vaga para dentista?
- Não, acabou ontem – respondeu a impassível atendente por trás do vidro do balcão do Posto Medico da rua 14 – Vila Embratel.
Sr. Com como sempre esperava a confirmação do agendamento. A sua agente de saúde avisou a pequenina para ele ir ou melhor vim que a consulta estava marcada. Mas a recepcionista fez um muxoxo esticando o beiço depois de consultar o computador:
- Não, não tem nada marcado – fez o sinal para espera-lo e levantou-se saindo do aquário, indo para outra sala.
O poeta sentou-se e começou a ler “Sanditon” – o inacabado romance da grande dama da literatura inglesa do século XVIII – jane Austen.
A atendente voltou e entrou no aquário e aboletou-se na sua cadeira e começo atender os outros:
- Próximo! -gritou por trás do vidro.
Uma jovem mãezinha baixinha e o seu bebezinho de olhos arregalados esperavam atrás dele – então ele fez o sinal para elas se aproximarem do guichê.
- Estou tentando falar com a sua agente – disse a pixixitinha de idade avançada.
Na outra fila, Dona Zizi, vizinha e cliente da oficina, moradora da rua 23 marcava o exame e ao vê-lo, veio cumprimenta-lo e esqueceu os documentos sobre o balcão – que uma mocinha veio entregar-lhe.
- Obrigado – agradeceu estupefata e encarou o poeta: - Mas aquele teu filho é bonito! – exclamou – Só tem ele?
O poeta assentiu com a cabeça. Uma senhora irada saia dos guinches soltando os bofes – isso tá errado, quase um mês e não consigo marcar o retorno.
Uma netinha morena auxiliava a sua vozinha. Uma agente de saúde, sua conhecida, colega de Juvan, cadastrava uma paciente no seu lap top corporativo, e entrava e saia do aquário e fingia não vê-lo. O poeta sempre resignado ficava na dele e também não a cumprimentou – essa vaca. Um motoqueiro capenga com um capacete enfiado no braço, apanha umas camisinhas no expositor do balcão.
- Seu Cosntatino, ela vai lhe procurar e não marcou nada – disse a atendente.
Bem fazer o quê? Nada bater em retirada. Apanhou os pães e retornou a pensão, merendou um bom café com leite e um pão massa fina, mudou de roupa e desceu para oficina.
- Olha a sardinha! Sardinha graúda da barragem – Omega três – gritava o peixeirinho moreno empurrando o carro de mão.
- Ei, e ai dar uma soldinha aqui no carro – pediu Sanantonio, o negão das polpas de frutas vindo do mercado.
O poeta lendo “Largo do Desterro” o drama do major tarado balançou negativamente a cabeça, mas o negão insistia como uma criança pedindo doce - Só uma soldinha, eu mesmo soldo – apelou.
- Não dar, a maquina com problema – respondeu voltando a leitura. O negão é ruim de jogo, nunca paga o que se pede e as vezes até calotea. Sr. Com, gato escaldado preferiu cortar o mal pela raiz.
A rapaziada voltando do Popular com uma sacola com um ou dois bandecos. O menu era dobradinha e churrasco – disse um deles.
Juvan apareceu na moto com o filho na garupa e ficou de vim buscar as grades depois, a carrocinha ainda não lhe foi devolvida, desconfiava que o pilantra vendeu ou ré emprestou para alguém.
- Tem muita gente lá? – perguntou para o radialista Collorzinho com a sacola com dois bandecos.
- Hoje deu muita gente, mas já está esvaziando.
O poeta mudou de roupa, apanhou seus apetrechos ( o livro e as folhas de Chamex), arriou a porta, passou os cadeados e subiu rumo ao Popular – ontem foi mamão com açúcar, não tinha ninguém. Mas ao dobrar o canto do finado Helio,o que viu o desanimou – uma enorme fila esparramada por toda calçada. Desistiu e deu meia volta volver, indo fundear no Lasierra na rua 17 na lateral do mercado para ler algumas paginas de “Belo Maldito” do jovem Vinicius Bogea que o veado trouxe a guisa de vende-lo por intermédio de Lasierra. Em frente no restaurante de Cibagoga, o mestre Zeno fazia sua Perfomance ao som de um velho reggae.
Na pensão, uma boa noticia a agente marcara a consulta para amanhã com a doutora Alhadef – bom, vamos lá pensou enquanto almoçava um bom fígado com feijão branco de ontem.





 
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efemero25
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