Poemas : 

Ofício de Linho

 
Tags:  verso    critica    gosto    soberania  
 
Trouxe as sílabas ainda mornas do pulso,
algumas húmidas de um matiz vago.
Pouso-as
neste deserto de linho.

Podei o excesso da sombra no verso
sem que o galho ou o ramo pedissem licença.
Colhi
apenas o que o silêncio consentiu.

Tu chegas agora, com esse olhar de balança
que dita o peso de cada letra.
Eu
cedo-te o meu lugar.

Vê quem vê, lê quem lê,
e o gosto é um rio que corre por si.
A soberania
é agora o teu fôlego.

Carlos Lopes


“Ausento-me na quietude das folhas que caem, quando a música do verbo se cala e a alma se agasalha em si mesma.”

 
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klopes
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Enviado por Tópico
Alemtagus
Publicado: 17/05/2026 20:21  Atualizado: 17/05/2026 20:21
Moderador
Usuário desde: 24/12/2006
Localidade: Montemor-o-Novo
Mensagens: 4349
 Re: Ofício de Linho p/ klopes
Excelência. As imagens fortes e impactantes que deixa a leitura de cada quadra com as paragens certas e necessárias, aumenta a segurança do poema, é daqueles escritos que ficam, bem alicerçados e com respiração própria... sim, este poema vive.
A minha vénia

Enviado por Tópico
klopes
Publicado: 17/05/2026 22:36  Atualizado: 17/05/2026 22:36
Muito Participativo
Usuário desde: 15/02/2026
Localidade: Lisboa
Mensagens: 70
 Re: Ofício de Linho
Caríssimo poeta Fernando Saiote,

Este poema é, no fundo, o reflexo do meu próprio caminhar: a busca constante por fazer sempre melhor. Uma vez partilhada, a arte ganha vida própria — vê quem repara, lê quem quer e gosta quem se identifica.

Muito obrigado pelas suas palavras e pelo incentivo.

Com consideração,
Carlos

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