Trouxe as sílabas ainda mornas do pulso,
algumas húmidas de um matiz vago.
Pouso-as
neste deserto de linho.
Podei o excesso da sombra no verso
sem que o galho ou o ramo pedissem licença.
Colhi
apenas o que o silêncio consentiu.
Tu chegas agora, com esse olhar de balança
que dita o peso de cada letra.
Eu
cedo-te o meu lugar.
Vê quem vê, lê quem lê,
e o gosto é um rio que corre por si.
A soberania
é agora o teu fôlego.
Carlos Lopes
“Ausento-me na quietude das folhas que caem, quando a música do verbo se cala e a alma se agasalha em si mesma.”