Devo conversar com meu diário
Agora que estou sozinho...
O lápis descansa em grafite na folha
o que minha alma talvez por hábito
insiste sempre levar no peito
algo como uma cicatriz que ainda diz:
"não há nada aqui"
É...
Os segundos passam,
e a inquietação é trapaça:
minha distração para não lembrar
que não sei dizer adeus a esse "nada"
que me dá vontade de simplesmente sumir como fumaça!
Sair do peso desse corpo que me arrasta!
Sair do caos que a todo tempo, o tempo rasga
e assim me perco no passado, presente, futuro...
É duro, mas "não há nada"...
E também não há nada que justifique
eu sentir esse “nada” tão forte assim!
As estrelas calmas tranquilas…
O som do ventilador e o calor ameno…
Meu olhar distante, o cansaço
que não se traduz em sonolência
Nada. Não há nada.
Só há esse "nada" que por nada para de me assombrar!