Sonetos : 

De uma alvorada

 


fixei-me nos teus olhos sem saber do sol
e no retorno igual já os raios trespassavam
a perfurar as nuvens negras que pairavam
e o dia a abrir-se em mim na luz dum só gole

peguei nas tuas mãos sem perder o instante
sem desviar o olhar de ti, qual girassol
a desejar jamais te ver em pôr-do-sol
não fosses ser miragem de poeta errante

eu sei que o sol nos foge sempre ao fim do dia
mas o teu dá-se à noite inteiro em luar
e eu sou um mar de espelhos para a luz crescer

havemos de saber das velas, na arrelia
havemos de cuidar das chamas, por amar
havemos de saber, juntos, entardecer


29-05-2026


 
Autor
AlexandreCosta
 
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