MEL D'ENGENHO
Há doce em tua língua, cunhantã,
Se sussurras d’amor toda dengosa.
Saboreio-te a fala; a boa prosa,
As palavras gentis em hora vã…
É mel que faz curar da dor malsã:
Promessa de prazer que enfim se goza.
Seja a tua beleza luminosa
Deleite sem lugar nem amanhã!
Gostosa a tua boca à minha boca…
E outro tanto teu peito me provoca,
Quando s'estreita ao meu, forte e profuso.
Farta-me, cunhantã, só de doçura!
Para além de ventura ou desventura,
De ti eu me alimento e me lambuzo.
Brasília - 07 09 2024
Ubi caritas est vera
Deus ibi est.