Friday, 19
Mais de sete horas da manhã e Gordilho ainda não abriu a quitanda – alguma coisa fora da curva aconteceu. O gás da pensão acabou ontem a tarde na hora de fazer o arroz e o pior o fornecedor não tinha disponível – A sra. Vince ao fogareiro, preparou o arroz – o sr. Com fritou o ovo, que nem jantou, optou por um delicioso escabeche de pescadinha de boca mole. Agora tem dois deliciosos sandubas de ovo com salsicha para o café. O poeta começa maturar a ideia de judicializar o pedido do BPC, caso esse segundo seja novamente indeferido. Procurará a Defensoria Publica – é a coisa certa a fazer.
- Constantino Puro! – gritou o carroceiro maneta Mariowski ao passar sentado no varal da carroça puxada pela sua branquíssima égua carregando uns andaimes para o seu Asterix no meio da ladeira da avenida Sarney Filho – oirmão dele Chilado com sua perna elefantíase vindo do café no Popular.
Dr. Colhão também irmão dessa moçada já tinha dito ao poeta que um colega deles da mesma rua é um grandíssimo mentiroso, mas o poeta relevou – apesar de ouvir estórias – uma delas do acidente que sofreu, um trator de esteira o esmagou, quebrando-lhe todas suas vertebras e os ossos – Internado no São Domingo entre a vida e a morte, estado critico foi surpreendido pela visita da então governadora Dra. Roseana e o pai, o ex-presidente da república, que condoídos pelo seu estado os transferiram imediatamente para o Sara Kubitschek de Brasília, onde passou quase dois anos em tratamento intensivo e tudo as expensas da família Sarney. All right! – mas essa de ainda pouco enquanto esperava o ônibus em frente ao atelier do poeta, foi a gota d’agua – o homem ocupou o púlpito do plenário da Assembleia Legislativa e debateu casuisticamente com a própria presidente da ALEMA – e não falou mais por que cortaram o microfone. Não, parem o mundo, que o sr. Com quer descer.
Sr. Com veio pronto para mais tarde ir a biblioteca devolver os livros e pegar o resultado do exame de creatina no começo da tarde.
- Olha a graúda! Olha a sardinha! Omega três! – pregoa o peixeirinho ao longe.
- Bom dia, amor! – sauda-lhe uma velha cliente da rua 23.
Dezão nas aguas, quebrou todos os paradigmas, recebeu o recurso, quitou-se com Gordilho e abasteceu-se antes que os familiares acordem, camuflando dentro de uma lata seca de tinta que o fulero do poeta lhe arranjou o foi refugiar-se no seu santuário, em cima da loja de seus pais.
O pixixitinho do Popular passou as nove e quarente e cinco, será o primeiro na fila, que abrirá somente as onze.
O tempo nublava-se com densas nuvens plúmbeas. Sr. Com lia Wolf, a Virginia e entrou no seu ritmo dos anos 20, igual aos seus contemporâneos Huxley e D.H. Lawrence.
11:00 – Gordilho dveia estra dando banho no pai ou preparando rango deles. Um pixixitinho do lava-jato o chama pela janela e o poeta o segue.
11:30 – O primeiro voltando do Popular, aquele que passou cedo, almoçado e palitando os dentes todo contente – o poeta na boca da espirradeira esperando um 314-Vila Embratel para o centro. Merendou biscoitos com recheio de chocolate e um genérico de guaraná River, uma inflalax@ que pegou no Gordilho. Buldoque, outro fiel do popular, foi o único que trouxe os bandecos do Popular.
Tarde na biblioteca publica da Deodoro – sistema fora do ar – não recebe e nem empresta, empacou com uma mula na beira de uma linha férrea. Ainda pouco deu-lhe vontade de surrupiar um livro de bolso da LPM da divina Jane Austen, a mão coçou em coloca-la no bolso da bermuda e sair – mas o temor de ser flagrado e passar por esse vexame o fez deisitir desse maligno intento. – mas que deu vontade, isso deu. Foi apanhar o exame de creatina no CTC da Santa Casa, passando em frente a lojinha de sua ex-amada a sra. Van, mas virou o rosto para o outro lado. Queria levar “Cartas” do mestre alagoano Graciliano Ramos – entrar na intimidade desse genio inconteste do sertão – mas com essa fuleragem – Nada, o sistema fudido – bem que poderia ter furtado Jane Austen e não se sentiria culpado.
Na parada da Deodoro com o exame no bolso, os chamexs na mão e observando a fauna e a flora humana.
- Circular radional para aqui? -perguntou uma grandona.
- Sei não. – respondeu cheio de dores.
Bem que podia pegar um Terminal da Praia Grande lá teria -vai aparecendo um 314 -teria mais opção. Embarcou. Ar condicionado e poucos passageiros. Rua Rio Branco, arraial estilizado da praça Dra. Maria Aragão, avelha estação de trem – um pixixitinhos barulhentos na geral – a quinquagenária ponte Gov Sarney sobre o rio anil seco e nenhuma garça branca na lama – a avenida beira-mar. A pedra da memória. O fundo do Palacio dos Leões sem eles, a praça dos açorianos – os terminais. O entreposto pesqueiro fechado, assim como mercado da Cidade ao fundo. Enfim a barragem também sexagenária ladeadas pelo mangue selvagem, as comportas que não se comportam. O onipresente Mateus ao lado da Polomix. O piqui do pixixitinho para encarar a carona da porta traseira aberta e convidativa. Os tapumes de alumínio da praça do Bacanga em reforma – o posto do pratico, a defensoria pública e o hospital dos cachorros, a creche municipal – o contorno. Enfim entrando na Vila Embratel pela única avenida que nunca foi avenida – e uma brancona apetitosa descendo na primeira parada e o poeta descendo em frente a Bike Center da rua 19 e indo comprar ou melhor pegar seus pais e pensão.