Vou ao encontro do mar quando o silêncio dói
ali, onde o calhau frio acolhe os meus passos
as ondas chamam-me num cântico ardente
e eu olho-as com a alma sempre presente.
Se o mar é mistério que a mente consome
no ritmo das ondas eu guardo o teu nome
o horizonte alonga-se numa promessa inacabada
num lençol azul que esconde uma mente alada.
As ondas vêm, desfazem-se em espuma e partem
vaivém eterno que copia o ritmo da minha saudade
cada vaga silenciosa, traz um eco de tempos idos
cada maré vazia deixa exposto as minhas magoas.
Pergunto ao mar as respostas que sempre procuro
mas as ondas apenas devolvem o seu próprio pranto
guardo o sal nos olhos, a brisa na pele despida
e deixo que a água lave, o pesar que em mim habita.
Escrito a 27/06/26