sempre fui jardineiro
de flores alheias
fossem belas
fossem feias
fosse qual fosse o canteiro
em ramos que não eram meus
traçava uma linha de corte
alguns nascem para ser deus
e alguém terá de ser a morte
nunca serão minhas
as mãos que dão abrigo
à beleza em botão
ao fio do meu podão
todas são ervas daninhas
sou perfumista ao contrário
e no meu herbário
ordinário
jazem papoilas e soagem
cravos e dentes-de-leão
e desperdiço sem motivo
o que poderia estar vivo
um aroma a paisagem
ou um fruto temporão