folhas ao chão, frio,
entre árvores desnudas,
a noite se apresenta;
em céu de zinco perfurado,
a cidade, entranhada
em sua incoerência, dorme;
ao assovio das paredes
de tábuas mal perfiladas,
olhares famélicos
imploram misericórdia,
tudo é pesadelo,
fantasmas, medo;
os ombros arqueados
não suportam o peso dos dias,
a face não chora mais,
boca seca, estômago vazio,
água-ardente,
o corpo sente, a alma morre...