Poemas : 

A botânica dos ombros

 


Não deixei pássaros ao abandono.

Cresceram-me folhas nos ombros

quando a borboleta voou de um dente-de-leão.



A pele abria-me pequenas janelas de luz

por onde o vento entrava devagar.

Aprendia a tocar um nome esquecido.



As raízes chamavam-me pelos pulsos

e cada passo deixava no chão

um eco de pétalas indecisas

metade silêncio

metade voo.



Não deixei pássaros ao abandono.

Foram eles que me ensinaram

a guardar o céu nos ossos

e a ouvir o que floresce

no lado secreto das horas.






 
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idália
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