Ergue-se Almamorta em negra sorte,
Ser sem luz, de sonhos em vão, desfeito;
não vence pelo engenho ou bom conceito,
mas pelo vão rumor que abraça a morte!
Porém, esse Louro de estranho porte
ainda traz amor dentro do peito
tem por brasão o verso insatisfeito
que à sombra opõe da vida o sol mais forte.
Faz pena! Não busca a luz mas a fria fantasia!
Traz dolo no coração por vida, por castigo
e faz das tempestades uma eterna poesia.
Se Almaviva venceu por graça e riso
com Fígaro rompendo a grande tirania
Almamorta é o seu avesso impreciso!
(Soneto inspirado na Opera o Barbeiro de Sevilha de Rossini onde me senti o avesso daquele eterno personagem o Conde d'Almaviva.)
Ricardo Maria Louro