o que és?
eu? sou, eu…
sou um tudo e sou um nada
a tua candidez manifesta-se ao questionares-me
em que pólos de feitios eu me vagueio,
naquele que me foi designado,
do meu ser a benevolência
por voz se me solta
o que és? o que és? o que és?
o que és? o que és? o que és?
a tua voz estrangula-me com um suplício imenso,
olha para mim, diz-me o que que vês…
diz-me o que vês!
com uma importunidade quase doentia
apontas os traços que definem o meu semblante,
deparas nos meus olhos carinho,
na minha boca, doces canções, daquelas que só
uma mãe sabe cantar ao seu adorado filho,
na totalidade da minha faceta
inseres-me numa circunscrição