escrevi-te tantas cartas,
que no céu as estrelas foram
assoberbadas por uma revoada de arautos,
mas tu como sempre, nunca as leste,
sei, porque a revoada as trazia de novo,
esta já subentendia o que em mim estava
reprimido, ou talvez estivesse
imbuído de cegueira opcional
dormi a teu lado,
não do teu físico,
pois gélido eras,
a tua presença era d'alma,
a tua voz ecoava e respondia
às questões que te fazia,
como se ao meu lado estivesses,
mas não estavas, nunca assim foi,
dormi, se alguma vez dormi,
pois pernoito em introspeção
e ao meu lado repousava
o teu espírito
por anos desisti de amar, do amor,
se alguma vez soube o que este é,
deveras creio que por ti senti
algo Florbelamente platónico,
em nós vislumbrei o fenecimento,
algo que nunca fomos e não sei
se algum dia seremos
ao procurares por um alvo,
visto que pelejas pela pátria
escolheste-me como o principal,
e ao meu âmago de ferro oxidante,
encostaste a tua espingarda e disparaste,
mas de roleta-russa fizeste a tua
germanidade
hoje na memória já não habitas,
não como Laurindinha que pelo
seu beligerante espera,
ao partires numa carruagem lamacenta,
paz me trouxeste,
pois desisti de te acompanhar no
teu calvário, onde sustentava
três faces,
e o meu afeto reside numa linha
que conecta apenas dois