Ainda não é tarde,
Ainda não é tarde para ti.
O silêncio também responde…
Responde quando a voz treme.
Responde quando a alma está em frangalhos,
E não há força para explicar.
Não precisas caber em todos os corações.
Há corações pequenos demais,
Para guardar a tua imensidão.
Não precisas ser aplauso,
Nas mãos de toda a gente,
Nem palavras bonitas,
Na boca dos outros.
Basta teres paz,
Na tua.
Descanso não se merece…
Descanso permite-se.
Como quem pousa a cabeça
No ombro cansado do mundo
E sussurra:
Hoje eu paro,
Hoje não salvo ninguém,
Hoje salvo-me.
Paz é mais que uma vitrine.
Não é o brilho que mostras ao mundo,
Nem o sorriso tranquilo,
Que guarda um furacão por dentro.
Recomeçar não é cair.
Cair deixou marcas no caminho,
Mas levantar-se outra vez,
É conhecer a estrada,
Sem voltar à mesma pedra.
Comparar rouba tudo.
Rouba a tua luz sem pedir licença.
Rouba o tempo que era teu.
E quando dás por ela,
Já não reconheces,
O rosto que o espelho devolve.
E depois ainda te convences,
Que a culpa é tua.
Amar-te não é egoísmo.
É casa!
É o primeiro Porto Seguro,
Que se constrói tijolo a tijolo,
Com "hoje eu escolho-me".
Não…
Não deves explicação,
A quem nunca se deu ao trabalho,
De aprender a tua língua.
A tua língua tem cicatrizes.
A felicidade mora no simples.
No primeiro respirar profundo,
No café quente às 7 da manhã,
No abraço que não pergunta nada,
No "estou aqui" dito baixinho,
Quando o mundo está alto demais.
A vida não se mede,
Pelo peso que carregas nas mãos,
Mas pelo espaço que ainda guardas no peito,
Sem deixares de respirar.
E o comum...
O comum vira extraordinário
Quando olhas,
Com olhos de ver.
Quando olhas do amago da tua alma,
Quando vês Deus no banal.
Cuidado com a palavra solta,
Especialmente quando ardes.
Quando vens em fogo,
Irritado,
Partido.
Há palavras que saem,
E não têm travões.
Ferem.
E depois já não voltam,
E ficam marcas que nem o tempo apaga.
Se não tens luz para dar,
Cala-te.
O silêncio também salva,
O silêncio também cura.
Acima do medo,
Acima do orgulho.
Não compres guerras sem chão,
Não desprezes ninguém,
Nem mesmo quem te desprezou.
Ouve…
Escuta a voz que não compreendes,
Às vezes,
Até a dor,
Tem algo para ensinar.
A paz de amanhã,
Começa nas sementes silenciosas,
Que deixas hoje na terra.
Passo a passo,
Sem pressa,
Sem guerra,
Sem pedir licença para existir.
Ainda não é tarde,
Para recomeçar.
Ainda não é tarde,
Para amar.
Ainda não é tarde,
Para ser.
Diogo Cosmo ∞
Aeroporto, Porto
11:20 01-08-2026
DIOGO Cosmo ♾