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Anomalia Indecente

 
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Anomalia Indecente

Quantas vezes eu precisei de ajuda
e somente encontrei um amargo não;
quantas vezes desabrochei e sumi,
fosse eu fumaça escapando das tuas mãos.

Sou apenas uma tênue luz apagada
e, como pó, fui levado pelos ventos,
ser concreto feito apenas de nada,
morto até nos íntimos pensamentos.

A dor no peito é maior que o mundo.
Aprendi que não posso estender a mão,
pois não, é-me dito sempre ao ouvido,
trazendo a tristeza ao meu coração.

Flutuei em uma brisa desconhecida;
estrelas dançavam ao meu redor,
o sol desmaiava no horizonte,
quando a lua aparecia muito maior.

Desperta-me uma percepção crescente
da irrupção deste absurdo transcendente
e da irracionalidade deste meu eu mundo.
Fecho os olhos para não ir cada vez mais fundo.

E viro um sumo em uma anomalia indecente.

Alexandre Montalvan

 
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montalvan
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