Poemas : 

O Dia D

 
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O Dia D

O que NÃO foi dito na hora exata;
é que cachorro que cobra mordeu foge de linguiça.
Mas pipocam rojões como um abracadabra,
e as moscas circulam no cheiro da carniça.

Se a morte não é uma coisa abstrata;
até mesmo as capas rangem em suas dobradiças.
Como esta noite é feita de coisas macabras;
nos raios, os gritos estão cheios de injustiças.

Os demônios mordem seus rabos como jararacas;
de ambos os lados, a vingança os atiça.
Talvez não haja nenhum sentido nestas palavras;
só quem vive o outro lado entende esta premissa.

A quietação voltou no estertor desta longa madrugada;
há medo e dor, mas é o cheiro de sangue que enfeitiça.
Descompassados, os entes impotentes vestem a casaca,
pois mãos poderosas resolveram tomar conta desta missa.

Alexandre Montalvan

 
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