Abro minhas mãos ao dorso do infinito,
buscando um porto que minha vida não contém
mas nas ondas vai meu peito, no convés um grito,
na proa da demanda de me achar ninguém...
Meus dedos carregados de silêncio puro,
de branca espuma em perpétuo alvor,
colhem do mar um cântico inseguro,
que ao vento entregam num pérfido pudor.
Não sei se minh'alma encontrará o norte,
se nasceu para perder-se ou ser amante
mas cada vaga vence a própria morte
e faz do longe um verbo sempre errante.
Se o mar me nega por destino um fundamento,
dá-me, contudo, o fôlego da espera;
pois quem abraça o mar e o firmamento
já traz na fé a pátria que venera.
E quando enfim minhas mãos cessarem, abertas,
fundindo o azul na espuma do caminho
saberei que as viagens mais desertas
são as que Deus entrega sem destino.
Ricardo Maria Louro
A chegar a Veneza num ultimo momento de despedida dos Mares por DEUS CRIADOS.
Ricardo Maria Louro