Cascata
No vale estreito, cavado no tempo,
Corre o riacho de água límpida,
Num sinuoso leito de rocha dura.
Sussurra promessas refrescantes,
O alívio do penoso calor estival,
Aos corpos quebrados da escalada.
E afoitos caminhantes da montanha
Seguem, sedentos, esse murmurar,
Esbatido pelos verdes da floresta.
E, mais longe, se ouve forte
troar, Como quem se se precipita livre,
No nada que sustenha a queda.
E, fatigados, os caminhantes estacam,
Perante esse abismo que lhes surge,
Renovando coragem no íngreme vazio.
E o olhar se detém no pequeno lago
De frescura prometida que os cativa
No desejo incontido pelo árduo penar.
E, nós, os amantes eternos de sempre,
Lançamo-nos na nudez despudorada
Nesse cachão de delícias ignoradas.
Somos o amor, caminhante perdido,
Que se atreve no morrer e no reviver,
Em beijo profundo e abraço perene.
Poeta sem Alma
Os comentários são de propriedade de seus respectivos autores. Não somos responsáveis pelo seu conteúdo.