Francisco e as Rolas *
Um jovem tinha caçado
Rolas p’ra feira vender,
Francisco muito apiedado
Lhe pediu p’ra lhas ceder.
Num rasgo de piedade,
Rogou-lhe por compaixão:
Cada ave é a humildade,
Ser casto da Criação.
Do Senhor, aves fiéis;
D’ avareza, não caiam
Em mãos vilãs e cruéis
E de vida s’ esvaiam.
Por inspiração de Deus,
O jovem assim acedeu,
E, num abraço d’ adeus
A Francisco lhas cedeu.
Francisco às rolas clama:
Por que tão inocentes
Vos deixais apanhar?
Vinde comigo, exclama!
Por vales e vertentes
Libertas p’ra nidificar!
Francisco diz ao jovem
Que de mero caçador,
Ingressaria na Ordem
Louvado seja o Senhor!
O jovem se fez confrade
De Francisco e seus irmãos,
Viveu sempre em santidade,
Na morte, pleno de bênçãos.
Poeta sem Alma
* Inspirado nas “Florzinhas de São Francisco”
Redondilha maior