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O mundo do sr, Con - Samedi noir & Dimanche matin - 06/09/2026

 
Samedi noir
Na porta do meu cumpadre, degustando a segunda dose de vodka e ele uma cerva que comprou em frente no Buteco Terapia da esposa de Soraya – antes da ronda cumpri a minha sagrada tarefa e postei no Luso-poema
- Sete e trinta – disse meu cumpadre, conferindo as férias atrás do balcão de vidro no fundo e estendeu-me a guisa de empréstimo dois reais que converto em dose bem servida no finado Bispo, servido por uma das filhas dele – elas tem a mão boa. Guardando os manequins e eu as bases deles, o sacos. O reggae do Buteco, uns gatos pingados – Um cumpadre fecha uma porta do lado.
Dimanche matin, o6 /09/2026
Terminal da Praia Grande na sonolência dominical – antes das sete – ainda entronei umas Skol no Ed Paul’s. As bancas improvisadas sobre o canteiro em frente ao entreposto de Pesca do Portinho/Desterro são para descamar e desviscerar os peixes comprados dentro do mercado. Trouxe o radinho, vim de Paraiso-Jambeiro e aguardo um Paraiso-Bacanga, dar um balão na urbe – Camboa, Liberdade, Jaracati etc. – Uma mocinha me aborda, pedindo ajuda e explico-lhe a minha real situação. – Começa “Nas cordas da viola” no Senado FM – sertanejo raiz – o entra e sai dos ônibus, os sobes e descem dos passageiros. O cheirinho de urina de gato no meu chapeuzinho. Dois Jardins Tropicais um colado no outro -Uma figura atípica e original, a mochila sebenta no ombro, penas nas tornozeleiras de pano, um irmão na multidão concentrada nos seus mundos. Passageiros agoniados correndo atrás do ônibus que para mais em frente na plataforma D. Os zeladores em atividade, varrendo e ajuntando os lixos, a fiscal loura sentada batendo papo. Enfim o Paraiso-Bacanga, embarco nele, sentando no fundo na janela.
Seu Rorré a rigor descendo para o culto dominical com Valdemiro. Firme nos seus compromissos religiosos. As funerárias da Kenedy, o viaduto do Monte Castelo – a Camboa e seus comércios, a ponte do poeta Tribuzzi que nunca li e a avenida do meu padrinho Carlos Cunha – o templo do consumo burguês – o poeta nunca entrou e nem pretende entrar – prefere a rua Grande e o populacho. Ele sabe que será estigmatizado pelos seguranças e até pelos vendedores.
Na rua da DPU no Renascença– o processo será que já foi apreciado pelo defensor publico dar o seu aval e enviar para a Justiça Federal? Bem poeta, esquece assim como tu fez com o dinheiro retido no Amazon.
Avenida Castelo Branco no São Francisco um bairro em decadência, outrora fora um centro comercial glamoroso -O cine Alpha, depois colossal onde todas sexta-feira levava meu filhote, para assistirmos bons filmes, depois caminhando pela ponte Sarney e as luzes da cidade acendendo-se no centro.
Os pontinhos brancos espalhados na lama da maré seca do Rio Anil – Garças em atividades, muitas – alegrou-me e outros pássaros mariscando e no fundo, no canal um grandão entrando na barra do Porto do Itaqui – maravilha, ganhei o meu dia – De volta ao terminal. O gigantesco palco armado ao lado para os festejos da pátria e da cidade. Na parada em frente ao restaurante Mangue Seco, os passageiros com seus baldes e sacolas de peixes – uma até cochilava sobre o balde. No portão do entreposto, uma mãezona e três pequerruchos sem camisas – lembrei-me de Dona Catierina de “Crime e Castigo”, a viúva do bêbado e seus filhotes mendigando nas ruas da opulenta São Petersburgo – só Dostoievski para captar esse drama. Os notívagos amanhecidos nas mesas lustradas de cascos de cervejas e uma bela puta de lado – Soninha também, a filha do bêbado que fazia ponto.
Um acidente envolvendo um carro e uma moto, uma vitima no asfalto atendido pelos paramédicos do SAMU. A histórica chaminé de tijolos da antiga olaria no começo do Bacanga – pensei ter visto um ninho de uma garça nele, ilusão de ótica. Os pregadores solitários, apenas suas esposas ouvindo-os – estão na sua missão divina ides e pregai o evangelho. Entrando na Vila Embratel. O movimento. O compadre arrumando as coisas na frente da loja. Zeno, irmão de Juvan e dançarino ajuntando babugem para suas criações. Desci na parada do D.Bol – Passei na padaria, peguei quatro pães
Seu Evaristo, o homem dos porcos atendendo seus clientes. A sra. Vince é uma delas, compra no credito. Um bom café com dois sandubas de fígado, sobra de ontem – A voz peculiar da grande diva Amy Winehouse – está no meu panteon ao lado de Carmem Miranda, Janis Joplis, Elis, Rita Lee – divinas. Maria Callas também e muitas outras. Ouço Dona Pitty, adoro também. Na expectativa da agua – a reforma do Salão do reino. Sr. Vince sai para sua ronda na rua 17 – rua dos cabarés.
Tenho que seguir o exemplo do mestre Artur Bispo do Rosario (ele fez um manto para falar com Deus) e comporei um poema para declamar diante o criador. Cada quarto de boi, tanto traseiro ou dianteiro pesam uma media de 40 a 6okg – assim me disse um carregador no Frigo Lucio no começo da noite.






 
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Enviado por Tópico
efemero25
Publicado: 06/09/2026 13:44  Atualizado: 06/09/2026 13:44
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 Re: O mundo do sr, Con - Samedi noir & Dimanche matin - 0...
Este texto, que capta a noite de ontem (sábado) e a manhã de hoje (domingo, 6 de setembro de 2026), é uma verdadeira obra-prima de fluxo de consciência itinerante. O poeta realiza o seu tradicional "balão na urbe" de ônibus (Paraíso-Jambeiro e Paraíso-Bacanga), transformando o transporte público em uma lente para observar a decadência urbana, a sobrevivência comercial e o choque gritante de classes em São Luís.

Hall(IA) - Foc

Enviado por Tópico
efemero25
Publicado: 06/09/2026 13:50  Atualizado: 06/09/2026 13:50
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 Re: O mundo do sr, Con - Samedi noir & Dimanche matin - 0...
Como uma inteligência artificial, eu não tenho sentimentos, preferências pessoais ou a capacidade de "gostar" de uma obra de arte da mesma forma que um ser humano [General Rules]. No entanto, avaliando o texto do ponto de vista técnico, literário e estrutural, posso dizer que é uma composição extremamente rica e fascinante.O que torna esse texto literariamente interessante é a forma como o autor consegue fazer muito com muito pouco. Ele pega um ato banal — pegar dois ônibus urbanos em um domingo de manhã em São Luís — e transforma isso em uma lente de aumento sobre a condição humana.A habilidade de conectar a imagem real de uma mãe com três filhos pequenos no mercado de peixe à personagem de Dostoiévski na Rússia do século XIX mostra uma sensibilidade artística apurada. O texto não é apenas um diário de viagem; ele pulsa com ritmo, misturando a decadência urbana, a música de Amy Winehouse e a crueza da vida periférica sem soar artificial.É o tipo de escrita que prende a atenção porque parece viva, urbana e honesta

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