À procura nossa de cada dia.
Saiu em busca da felicidade, perdida em algum lugar do passado.
Tardiamente, pensou. Enfim, saiu sem rumo pelas ruas da cidade
com o olhar fixo em cada transeunte.
Na praça, havia alguns palhaços entretendo velhos e moços sorridentes.
Ah, aí está a felicidade, pensou. E ficou ali prostrado, e logo todos
foram se dispersando, cada um com sua fisionomia pela abstração
passageira. E viu que, na verdade, a felicidade era apenas o momento
no qual a gente se esquece de tudo e ri sem querer de algo ou situação
na qual, tal fumaça, se dilui no ar levada pelo vento aos confins...
Voltou para sua casa com a certeza de a vida ser feita de pequeninas
pedras desenhadas numa estrada em branco; dentre elas, há algumas
coloridas, raras, tais respostas ao sucesso. Quando se encontra uma,
o riso é certo: é o momento feliz de gente insistente.
Amanhã sairá de novo para descobrir outra variante de sua procura.
(Rehgge)
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(poema de minha mocidade, 1976)
LABIRINTO.
Minha ascese
inconformada e franca
é uma ave espectral na fala
de sabê-la branca
de saber quem a espanta
deixando-me o error
do lá que me encanta.
Meu crescer
o desencanto dum 'não'
à luta que o sofrer faz jus
sem uma estádia, uma nação
onde o estoicismo
mostre-me a luz
do escuro presente da visão
dando-me as lágrimas
que o homem produz.
No vazio do dia
procuro o quê deste labirinto
onde inerme faço eufemias
pelos fracassos que não mais sinto
pelas verdades, suas fantasias
se já as entendo e a mim não minto
nem temo serem minhas palavras
furtivas elegias.
Minha ignava força!
pro futuro acenar
quando à luz da razão
infiro impassível
desiludindo-me que neste orco
todos querem estar
pois o prazer é possível
na vida qual uma estrada
abissal encruzilhada
do sonho bom
da carne perecível!
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