Deslizo pela suavidade dos dias passados
na correria calma dum tempo vagabundo
procurando na memoria o teu sorriso
a luz que ainda aquece o meu mundo
Na alma, onde o silêncio se abriga
brota um anseio... um desejo ardente
e a inspiração aparece abruptamente
pousando-me nas mãos, como fiel amiga
És tu a razão sem razão deste meu sentir
a asa da gaivota que rasga o céu sem se ver
a pétala da vida que quer continuar a florir
nesta minha poesia que continua a existir
E assim te escrevo na tela do pensamento
desenhando os contornos da tua ausência
és o sopro suave, a brisa de cada momento
que dá sentido e cor a esta minha existência.
Transformo o verso que a noite embala
imprimo o poema onde o meu fado mora
quando a minha voz de poeta se cala
é a tua voz, em mim, que sempre aflora
Escrito a 09/10/26